O aumento das apostas durante a Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona preocupações relevantes para o setor de alimentação fora do lar. Durante o torneio, observado um crescimento surpreendente no número de brasileiros envolvidos com apostas esportivas online, que saltou de 11% para 34,8% da população em comparação a maio.
Este fenômeno não apenas se reflete na quantidade de apostas realizadas, mas também no valor médio gasto por apostador, que subiu de R$ 188 diários para impressionantes R$ 524 após um jogo crucial entre o Brasil e Marrocos, segundo dados de uma fintech baseada em informações do Open Finance. Essa mudança acende um alerta sobre os perigos da ludopatia, um distúrbio que leva indivíduos a continuarem apostando em busca de compensações financeiras, muitas vezes ignorando as consequências desastrosas.
Uma pesquisa recente do Procon-SP destaca que 52,4% dos apostadores já comprometeram suas rendas ou recorreram a empréstimos para continuar jogando. Este cenário se torna ainda mais preocupante dentro do ambiente corporativo. De acordo com um levantamento da Abrasel, 87% dos donos de bares e restaurantes notaram que seus empregados desenvolveram hábitos relacionados a apostas, o que impacta de forma negativa o cotidiano da equipe: 75% relataram aumento das dívidas dos funcionários, enquanto 58% identificaram apostas sendo feitas durante o expediente.
Depoimentos de empresários, como o do proprietário de uma cafeteria em Manaus, revelam como esse problema pode afetar diretamente a produtividade e o bem-estar no trabalho. Um ex-supervisor começou a apresentar mudanças de comportamento significativas, resultando em problemas financeiros e uma série de pedidos de adiantamento. Caso emblemático, evidenciando que tais questões extrapolam a vida pessoal, afetando o ambiente profissional.
Diante dessa realidade, especialista da Abrasel ressaltam a importância de estar atento a sinais precoces de urgência. Alterações repentinas de comportamento, como solicitações frequentes de adiantamentos e mudanças de relacionamento com colegas, são pistas que podem indicar a presença de vícios. Recomendam, assim, que empresas promovam educação financeira, além de encaminhamento respeitoso a canais de tratamento para aqueles que enfrentam dificuldades.
Para auxiliar os empresários, a Abrasel criou uma cartilha que aborda as orientações práticas relacionadas aos sinais de alerta e estratégias de abordagem, além de listar recursos de apoio disponíveis. Este documento é uma valiosa ferramenta para ajudar a proteger tanto os colaboradores quanto as operações das empresas.
Com informações e fotos da Abrasel/BR













