Pesquisadores de instituições como a Embrapa, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a QueenNut estão realizando avanços significativos no controle de doenças que afetam a macadâmia no Brasil. Especificamente, eles se debruçaram sobre dois problemas sanitários críticos: a queima dos racemos e a podridão do tronco. A queima dos racemos, causada pelo fungo Cladosporium xanthochromaticum, compromete as flores da planta, impactando negativamente a formação dos frutos. Por outro lado, a podridão do tronco gerada por Lasiodiplodia pseudotheobromae pode causar danos severos, resultando na morte de ramos e, em casos extremos, na perda total das plantas.
Um dos enfoques dos estudos foi explorar o potencial de bactérias nativas, como Bacillus subtilis e Serratia ureilytica, que demonstraram ser eficazes no controle biológico de ambas as doenças. Estas bactérias foram selecionadas a partir de amostras coletadas em flores de macadâmia e testadas quanto à sua capacidade de inibir o desenvolvimento dos fungos patogênicos. O uso de bactérias nativas apresenta vantagens importantes, uma vez que estão adaptadas às condições do cultivo e têm maiores chances de sobrevivência e eficácia em campo.
Os resultados obtidos até agora sugerem que essas bactérias não apenas reduzem a incidência das doenças, mas também inibem a produção de esporos dos fungos, o que é crucial para prevenir novas infecções. O estudo enfatiza que os microrganismos atuam através de múltiplos mecanismos de defesa, como a liberação de compostos antifúngicos e a competição por nutrientes, o que torna essa abordagem ainda mais promissora.
Além disso, a compatibilidade dessas bactérias com defensivos químicos utilizados na cultura reforça a possibilidade de integrar o controle biológico com estratégias químicas, criando um sistema de manejo mais sustentável e eficaz. Os pesquisadores concordam que a combinação de práticas agronômicas, controle biológico e resistência genética é fundamental para enfrentar os desafios sanitários da macadâmia, uma cultura em expansão no Brasil.
Os estudos começaram em 2018 e culminaram em descobertas que podem transformar o manejo sanitário dessa cultura, oferecendo oportunidades para aumentar a produtividade e reduzir o impacto ambiental. Embora os resultados sejam encorajadores, ainda há desafios pela frente, como o desenvolvimento de formulações de bioinsumos e a análise da viabilidade econômica de sua aplicação em larga escala. A integração de estratégias de controle biológico com manejo químico emerge como uma tendência futura, com potencial para fortalecer a competitividade da macadâmia no mercado brasileiro.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Bernardo Halfed-Vieira / Embrapa













