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“Estação chuvosa de 2025-2026 traz recuperação parcial, mas déficit hídrico persiste no Pantanal”

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A estação chuvosa de 2025-2026 registrou uma leve recuperação na dinâmica hidrológica da Bacia do Alto Paraguai (BAP), mas, lamentavelmente, essa melhoria não foi capaz de mitigar o déficit hídrico acumulado desde 2019. Entre outubro de 2025 e março de 2026, a distribuição das chuvas foi aproximadamente 10% a 12% inferior em comparação à média histórica da bacia. Essa redução nos níveis de água, tanto em altura quanto em duração, pode ter consequências adversas para a reprodução de peixes, a ciclagem de nutrientes e a vegetação aquática.

Apesar dos desafios, as condições de inundação moderada podem beneficiar a pecuária extensiva, pois melhoram a disponibilidade de água sem causar alagamentos prolongados. As análises feitas para a BAP durante a referida estação chuvosa revelam que, apesar da leve recuperação dos níveis dos rios, a cheia de 2026 ainda está aquém dos padrões históricos. Por exemplo, a estação fluviométrica de Ladário, em Mato Grosso do Sul, registrou um nível de 1,95 metro em 19 de abril de 2026, um valor que está cerca de 1,2 metro abaixo da mediana esperada para essa data.

Carlos Padovani, pesquisador da Embrapa Pantanal, ressalta que a avaliação das chuvas na bacia, baseada em dados históricos de 1981 a 2026, mostra que o total de precipitações neste período foi bastante irregular, principalmente em janeiro de 2026, que foi marcado por pouca chuva. Esta irregularidade climática comprometeu a capacidade da bacia de manter um pulso de inundação contínuo. A relação entre a distribuição da precipitação e a geração de cheias é crucial no contexto hidrológico do Pantanal, que exige uma persistência das chuvas em áreas extensas e a sincronização dos aportes hídricos.

Quanto à memória hidrológica, Padovani explica que os níveis dos rios devem ser analisados à luz da condição histórica do sistema. O período de estiagem que começou em 2019 resultou em uma resposta hidrológica complexa, onde a água da precipitação é utilizada inicialmente para reabastecer os estoques no solo e aquíferos, em vez de gerar escoamento superficial. Essa dinâmica gera variações nas elevações dos rios, dependendo da localização.

O impacto dessas cheias não deve prejudicar as atividades de navegação e turismo, mas beneficiará, em particular, a pecuária nas regiões adjacentes ao Rio Paraguai. Os solos férteis e a disponibilidade hídrica propiciam um ambiente ideal para o crescimento de pastagens nativas, essenciais para a alimentação do gado. Entretanto, uma cheia de menor intensidade traz desafios para a pesca, uma vez que a produção neste ecossistema depende da altura e da duração das inundações, que favorecem a alimentação e a reprodução dos peixes.

Assim sendo, a dinâmica hidrológica da Bacia do Alto Paraguai continua a apresentar desafios e oportunidades que dependem de uma interação complexa entre chuvas, armazenamento hídrico e as atividades socioeconômicas locais.

Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Raquel Brunelli / Embrapa

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