A BRS Carinás é uma nova cultivar de Brachiaria decumbens que chega como uma alternativa promissora para o setor agropecuário brasileiro, especialmente no bioma Cerrado. Desenvolvida pela Embrapa, em parceria com a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), a BRS Carinás é capaz de se adaptar a solos ácidos e de baixa fertilidade, servindo como uma opção viável para pastagens em condições desafiadoras.
Uma das principais características da BRS Carinás é a sua alta produção de forragem, que pode chegar a 16 toneladas de matéria seca por hectare, superando em 18% a produção da cultivar anterior, a Basilisk. Isso a torna uma escolha vantajosa não apenas para pasto, mas também para a integração lavoura-pecuária (ILP), onde suas maiores capacidades de suporte e ganho de peso por área contribuem para a eficiência na bovinocultura de corte. Em comparações, a BRS Carinás demonstrou um ganho de peso por hectare cerca de 12% superior ao da Braquiarinha, facilitando uma pastagem mais produtiva.
A cultivar foi projetada para complementar práticas agrícolas, não competindo com culturas anuais durante o cultivo consorciado. Sua estratégia de manejo envolve vedar essa forragem no final da estação chuvosa para garantir alimento suficiente durante a seca. Essa estratégia se destaca em sua aplicação, especialmente em áreas que já utilizam a cultivar Basilisk, proposta agora para diversificação e melhoria de sistemas de pastagem.
Além disso, a BRS Carinás também se sobressai em testes de rebrotação, acumulando uma quantidade significativa de massa seca de forragem em um curto período. Em apenas 60 dias, a cultivar pode produzir quatro toneladas de forragem, o que a torna uma excelente opção para o plantio direto. Sua leve exigência em termômetros de fertilidade do solo — tolerando ambientes pobres em nutrientes — e sua resistência ao encharcamento só fortalecem sua aplicabilidade.
Nos testes realizados, demonstrou-se que a BRS Carinás não interfere na produtividade de culturas anuais como milho e soja, apresentando, na verdade, uma elevada taxa de forragem. A matéria orgânica acumulada contribui para a ciclagem de nutrientes, o que é econômico para os pecuaristas, com uma estimativa de adição equivalente a 100 kg de ureia ao solo.
As sementes da nova cultivar estarão disponíveis para compra a partir do segundo semestre, trazendo não apenas uma oportunidade de melhoria para as pastagens brasileiras, mas também uma esperança de sustentabilidade e eficiência para a agropecuária no país. A expectativa agora é que a BRS Carinás se espalhe para outros biomas e até para países da América Latina, onde os sistemas de pastagem baseados em Brachiaria decumbens são aplicados. Assim, a inovação promete impactar positivamente a produtividade e a sustentabilidade do setor pecuário.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Allan Kardec Ramos / Embrapa













