Uma notícia muito relevante para o Brasil veio ontem nos informes da pesquisa Radar IDHM, constante no trabalho construído pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento(PNUD), e mostra que o país ingressou pela primeira vez na categoria de nações com desenvolvimentio humano “muito alto”. Em 2024, o Brasil alcançou 0,805 no Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), em comparação com os 0.744 que havia obtido em 2012, há 13 anos.
O PNUD considera “muito alto” índice acima de 0,800, numa escala que mede o desenvolovimento humano de 0,000 a 1.000. Quanto menor o percentual, mais baixo é o índice de desenvolovimento humano da população.
Quando esse processo de medição foi instituído, há 30 anos, o Brasil era um país de IDHM Baixo ( de 0,500 a 0,599). Em 2012, o IDHM do Brasil era de 0,744. Cresceu 0,136 pontos no período.
Um dado especialmente importante no estudo das Nações Unidas diz respeito ao Nordeste brasileiro. Também pela primeira vez na história sete das nove regiões metropolitanas relacionadas com suas Capitais, entraram para esse nível de IDHM Muito Alto, com Natal (RN) na liderança do índice, com 0,822, seguida por Teresina (PI) e Aracaju(SE), ambas figurando com 0,809. Na sequencia vêm Recife (PE), com 0806, empatada com São Luís(MA), com o mesmo perentual e finalmente Salvador e João Pessoa, ambas com 0,803.
Os percentuais de IDHM muito alto de Natal, Teresina, Aracaju, Recife e São Luís são superiores ao do Brasil, que é de 0,805.
Quando o recorte se volta para os estados, os destaques são Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte, que registraram os maiores crescimentos dos respectivos IDHMs.
O Radar IDHM do Programa para o Desenvolvimento das Nações Unidas(PNUD) avalia parâmetros de saúde e longevidade, educação e geração de renda, de acordo com a cor (negro e branco) e o sexo (homem e mulher). A publicação de agora refere-se ao período de 2012 a 2024, perfazendo 13 anos.
Um dado que chama bastante a atenção dos pesquisadores, e que foi pontualmente citado nas análises sobre este PNUD, é o fato de que a média brasileira é acompanhada por regiões metropolitanas que antes eram consideradas regiões da periferia brasieira, fator que pesava para manter baixos os indicadores. O caso da região de Teresina é particularmanete citado , porque ao entrarem para índices muito altos de desenvolvimento humano, esses territórios agora puxam a média nacional para cima, quando antes empurravam para baixo.
Em outras palavras, as regiões metropolitanas das capitais do Nordeste passam não apenas a ter um índice elevado, muito alto de IDHM, mas com seu desempenho, conforme reconhece a ONU, estão impulpsulsionando o desenvolvimento brasileiro como se deseja e espera.
Uma análise especialmente importante da Coordenadora do PNUD Brasil, Betina Barbosa, serve para sepultar os disparates e preconceitos levados ao público nesse último fim-de-semana pelo apresentador de televisão Luciano Huck sobre o Bolsa Família, fato aliás, que gerou indignação nas redes sociais.
Contrariamente ao que o apresentador disse, e analisar esse vigoroso crescimento do IDHM sob a ótica do Programa Bolsa Família, ela diz o seguinte: “O Bolsa Família, que retira quantidade enorme de crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola, tem um gigantesco efeito benéfico na sociedade, trazido por uma política pública brasileira.”
E completa que o programa Bolsa Família, criado em 2003, começa a produzir efeitos cerca de 10 anos depois, justamente quando o primeiro grupo de beneficiários completa um período satisfatório de ensino, do fundamental ao médio, passando daí a influenciar positivamente a economia e ao bem-estar dos lares.
O que mais cresceu foi educação. Em 2012, este era o pior indicador nacional, com pontuação de 0,679, e agora se tornou o segundo, com 0,798, aumento superior a 0,1 ponto.
Fica evidenciado, também, que a melhoria dos indicadores nesse período é mais significativa entre famílias de renda baixa, em especial as negras. É exatamente aqui que a população negra começa a apresentar melhores indicadores, melhor performance em educação. É assim, na visão dos analistas, que a política pega um grupo que estava excluído e bota esse grupo para dentro do diálogo do desenvolvimento humano.
Conclui-se que não há alternativa para melhorar o desenvolovimento brasileiro sem incluir a população negra na agenda de políticas públicas, mesmo raciocínio que vale para as mulheres, que continuam sendo, apesar dos avanços, dois entraves para o Brasil no campo da desigualdade de raça e da desigualdade de gênero.
Por José Osmando













