Quem ficou ligado, nesse último fim-de-semana, nas discussões ocorridas no Fórum Esfera Brasil 2026, realizado sexta e sábado no Guarujá, no litoral paulista, ficou sabendo do que o apresentador de televisão Luciano Huck aprontou durante esse evento.
Ele subiu ao palco, convidado que foi, com ares de autoridade importante e, microfone na mão, disparou contra o Programa Bolsa Família, com falas preconceituosas e afirmações inverídicas, como as de que o programa não quebra o ciclo de pobreza e cria atalhos para que os beneficiários permaneçam recebendo os benefícios sem merecê-los.
O Bolsa Família é tão importante para os brasileiros mais pobres que já retirou cerca de 38 milhões de pessoas da linha da miséria e é hoje um programa social de transferência de renda tão significativo que cerca de 80 países, de diferentes continentes, têm esse modelo brasileiro como referência para suas políticas de assistência aos que mais necessitam. Esses são dados do Banco Mundial.
Mas não é mesmo disso que eu gostaria de tratar hoje.
Quero evidenciar que o discurso dominante e as conversas de bastidores dos cerca de 400 participantes desse que é o maior fórum da elite econômica brasileira, foi em torno da inquietação do empresariado na busca de um candidato – que eles chamam de terceira via-, para concorrer à Presidência da República nestas próximas eleições de outubro.
Nas manifestações ficam claras duas realidades entre os integrantes desse seleto grupo do poder econômico: primeiro- o que não é novidade para ninguém-, que eles não vêem o Presidente Lula com bons olhos nessa disputa eleitoral, portanto, não estando dispostos, sob qualquer hipótese, em apoiá-lo.
O segundo ponto, e aí a confirmação mais importante para o fato de estarem batendo cabeça, é a de que Flávio Bolsonaro está literalmente perdendo apoio no meio do empresariado, uma condição que se agravou após a divulgação das conversas do senador/candidato do PL com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso por conta do rombo do Banco Master, que levou a instituição à liquidação.
Se Flávio Bolsonaro já não era de muito agrado dos líderes do Capital, a situação dele se agravou depois das suas escancaradas relações com Vorcoro, a intimidade revelado na busca de dinheiro para financiamento do filme de seu pai, e o encontro pessoal mantido com o ex-banqueiro mesmo depois de ele ter sido preso.
Diversos empresários foram à tribuna para fazer críticas duras tanto ao atual Presidente Luia Inácio Lula da Silva, quanto ao senador Flávio Bolsonaro. De João Camargo, fundador da Esfera Brasil, passando por Lírio Parisoto – empresário gaúcho, a Flávio Rocha, os motivos para rejeição a Flávio Bolsonaro estiveram presentes nas críticas contudentes que o pai dele, Jair Messias Bolsonaro, recebeu pela “catástrofe que foi a gestão da pandemia e da economia”, com citações de que “o Brasil teve bizarramente mais vítimas do que em países com população maior, que foram vítimas pela péssima gestão de Bolsonaro.”
No plano geral, o que se observou durante esse Fórum foi a busca por um candidato que eles classificam de “terceira via”, que eles ainda não encontraram, mas que parecem dispostos a seguir procurando, numa clara evidência de que a cada dia se afastarão mais de Flávio Bolsonaro.
Um fato curioso, sobretudo dentro desse cenário de busca por um candidato de “terceira via”, é que no rol de convidados para o Fórum desse fim-de-semana, lá compareceram Romeu Zema e Ronaldo Caiado, que também são pré-candidatos à Presidência da República. Até mesmo o desconhecido Renan Santos, pré-candidato do partido Missão ( MBL), foi chamado para ajudar a elite econômica na caça a esse salvador da terceira via.
Com a presença dos dois ex-governadores no ambiente, o natural seria que algum deles pudesse receber o beneplácito de ser esse candidato que eles procuram.
Mas é provável que nem Caiado e nem Zema podem representar “terceira via”, pois esta , no rigor do que a expressão idiomática contém, deveria ser alguém sem qualquer ligação político-ideológica com Lula ou com Flávio Bolsonaro. O que se sabe com clareza cristalina é que tanto o ex-governador goiano, quanto o ex-governador mineiro são bolsonaristas de carteirinha, de primeira hora, que sempre estiveram inseparáveis quando Bolsonaro presidia o país.
E é provável que os líderes empresariais tenham a compreensão de que só agora, com Jair Bolsonaro condenado e preso, Zema e Caiado pudessem se transformar na “terceira via” tão desejada.
Essa eleição parece conter muitas emoções. E pelo visto, a direita vai ter que bater muiter muita cabeça até encontrar o rumo.
Por José Osmando













