logo_mco_2023_200X75
logo_mco_120X45

Publicidade

Publicidade

Márcio Pochmann defende fortalecimento do IBGE como coordenador-geral das estatísticas nacionais

COMPARTILHE

Em um momento crucial para a robustez institucional do Brasil, o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Márcio Pochmann, defendeu enfaticamente o papel de coordenador-geral do órgão sobre os dados oficiais do país. Durante uma audiência pública promovida pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados, Pochmann sublinhou que essa transformação requer não apenas uma legislação específica, mas também um significativo fortalecimento orçamentário do instituto.

Pochmann relembrou um período em que o IBGE reportava-se diretamente ao Presidente da República. No entanto, com o advento do regime militar, a instituição foi progressivamente perdendo influência e recursos. Esse esvaziamento levou à criação de bancos de dados independentes por diversos ministérios, como o Serpro, Dataprev, Inep e Datasus. Ainda assim, Pochmann argumenta que a centralização dos dados sob a tutela do IBGE é uma questão de soberania nacional. “É quase como se realizássemos, diariamente, um censo que abarca decisões sobre locais que frequentamos, aplicativos que utilizamos, escolhas de entretenimento, mensagens enviadas, e até mesmo transações financeiras”, afirmou. Ele também destacou que essas informações, frequentemente exploradas por empresas estrangeiras, muitas vezes não contribuem para a economia do país, não gerando empregos, não compartilhando tecnologia e não pagando impostos no Brasil.

Apesar das limitações, Pochmann assegurou que já estão sendo feitos esforços para integrar dados das áreas de educação, saúde e previdência. Essas iniciativas, segundo ele, são essenciais para a elaboração de políticas públicas mais eficazes.

O deputado Jorge Solla (PT-BA) reforçou a relevância de pesquisas confiáveis e regulares na luta contra a desinformação e as fake news. “Em tempos onde prevalecem versões ao invés de fatos, a precisão dos dados torna-se essencial para desmascarar informações falsas, como a alegação infundada de uma inflação descontrolada”, observou.

Cleiton Batista, diretor do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística, destacou um dos desafios operacionais do IBGE: a dependência de trabalhadores temporários. Segundo Batista, cerca de 60% da força de trabalho do instituto são temporários, ganhando pouco mais que o salário mínimo e enfrentando alta rotatividade, em contraste com a situação dos temporários do Censo Demográfico.

Planejamentos futuros do IBGE incluem 17 pesquisas de orçamento familiar e o censo agropecuário de 2026, ano em que a instituição completará 90 anos. Só no ano de 2024, estão previstas mais de 300 pesquisas, abrangendo desde a temperatura do mar até os índices de inflação. Márcio Pochmann destacou a importância de pesquisas sobre o orçamento familiar para atualizar dados sobre consumo das famílias, horas de trabalho, home office, cuidados com terceiros e deslocamentos no trânsito, os quais são vitais para orientar políticas públicas.

Mercedes Bustamante, representante da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na audiência, mencionou a relevância das estatísticas para decisões de investimento de estrangeiros, proporcionando uma base comparativa entre países.

Em suma, a centralização dos dados sob a coordenação do IBGE não é apenas uma questão técnica, mas um passo estratégico para fortalecer a soberania e a governança do Brasil no cenário global.

Com informações e fotos da Câmara dos Deputados

0

LIKE NA MATÉRIA

Publicidade