A BRS Carinás marca um importante avanço no melhoramento genético de forrageiras, especialmente voltada para a pecuária brasileira. Desenvolvida pela Embrapa e pela Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras (Unipasto), essa cultivar de Brachiaria decumbens oferece uma solução inovadora para a produção agropecuária no bioma Cerrado, conhecida por suas características de solos ácidos e com baixa fertilidade.
Uma das principais vantagens da BRS Carinás é sua elevada capacidade de produzir forragem, atingindo até 16 toneladas de matéria seca por hectare. Isso a torna uma opção atrativa para integradores que utilizam sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), uma prática que vem se consolidando pela necessidade de diversificação e sustentabilidade na agropecuária. Durante a estação chuvosa, a BRS Carinás demonstrou uma produção 18% maior em comparação com a cultivada Basilisk, conhecida popularmente como “braquiarinha”, permitindo assim uma alimentação rica e nutritiva para o gado.
Essa nova cultivar se destaca também pela sua adaptação ao período seco do ano. Quando vedada no final da estação chuvosa, é capaz de oferecer uma quantidade significativa de forragem na época da seca — 40% a mais do que a Basilisk, o que representa uma vantagem crucial para os pecuaristas que desejam garantir a alimentação adequada dos animais durante essas dificuldades climáticas. Estudos realizados mostram que a taxa de lotação também pode ser maior com a BRS Carinás, resultando em um aumento de 12% no ganho de peso por hectare.
Outro aspecto interessante é que a BRS Carinás não compete com culturas anuais em plantio consorciado, o que a torna ideal para integrar com culturas como milho e soja, ajudando na cobertura do solo e na ciclagem de nutrientes. Essa interação contribui para um manejo mais conservador, reduzindo o uso de insumos químicos. Além disso, a cultivar apresenta uma notável resistência a pragas, com comportamento similar a variedades conhecidas de Brachiaria em testes de encharcamento.
Em resumo, a introdução da BRS Carinás no mercado não apenas oferece uma alternativa viável à cultivação atual da Basilisk, mas também pode elevar a produção pecuária em áreas com solos menos favorecidos, promovendo um sistema mais eficiente e sustentável. O futuro parece promissor para essa cultivar, com potenciais aplicações em outros biomas brasileiros e em países vizinhos, confirmando sua relevância crescente na agricultura de precisão e no desenvolvimento da pecuária moderna.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Allan Kardec Ramos / Embrapa













