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Chamada Nordeste recebe R$ 113 bilhões para a neoindustrialização nos 9 estados | José Osmando

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Os nove Estados do Nordeste começam a passar por um vigoroso processo de neoindustrialização, configurado no projeto Chamada Nordeste, como parte do programa Nova Indústria Brasil, recebendo desembolso do Governo Federal da ordem de R$ 113 bilhões. 

O financiamento é mais de 10 vezes superior aos valores inicialmente previstos e vai favorecer 189 propostas aprovadas entre as 245 que foram submetidas à apreciação do governo.

Beneficiando os 9 Estados da região, o projeto Chamada Nordeste tem inicialmente cinco áreas específicas estabelecidas, tendo como foco a transição energética, com estratégia sobre armazenamento; hidrogênio verde; bioeconomia com foco em fármacos; data centers verdes e setor automotivo.

O Governo Federal, com esses objetivos definidos, aproveita-se de vocações já existentes na região, a exemplo da fartura de sol e ventos para gerar energias solar e eólica, e que nunca foram antes convertidas em cadeias produtivas de alto valor agregado para os Estados nordestinos, com amplo favorecimento direto à população e grande contribuição ao PIB regional. 

Lançado em 2025, a Chamada Nordeste tem desde o início a atuação direta da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e do Banco do Nordeste, aos quais se juntaram o BNDES (que é o principal financiador), a Caixa Econômica, o Banco do Brasil e a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP).

O programa conta com um amplo arranjo de apoio técnico na qualificação de profissionais para a operação dos projetos, pois cerca de 74% das propostas selecionadas são de micro, pequenas e médias empresas(MPMEs), que normalmente enfrentam maiores dificuldades na preparação de pessoal. 

Dois aspectos básicos chamam a atenção nas propostas selecionadas, nas quais serão investidos esses R$ 113 bilhões: primeiramente, o fato de que a grande maioria é formada por pequenos e micro negócios, o que permitirá uma horizontalização nesse processo de neoindustrialização; 

Segundo, é que 77% das propostas submetidas a aprovação passaram pelas mãos de instituições científicas e tecnológicas, caracterizando um enorme movimento de colaboração entre instituições, o que permite ter-se uma ampla visão de um Nordeste real. Outro aspecto, é que 32% das propostas vencedoras foram estruturadas em consórcios empresariais, o que representa uma novidade bastante alvissareira.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)vai bancar o financiamento de quase metade das propostas aprovadas na Chamada Nordeste, tendo sob análise 43 projetos com potencial de gerar R$ 54 bilhões em investimentos.

O primeiro financiamento, já aprovado, no valor de R$ 503 milhões, destina-se a uma biorrefinaria de combustíveis sustentáveis em São Francisco do Conde, na Bahia, que está sendo tocada pela empresa Acelen. Essa fábrica tem início de operação previsto para 2029, e vai produzir até 1 bilhão de combustível sustentável de aviação e diesel renovável.

Essa indústria faz parte de um projeto integrado que prevê investimentos superiores a R$ 3 bilhões e inclui o desenvolvimento agroindustrial no cultivo de 144 mil hectares de carnaúba em terras degradadas.

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Por José Osmando

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