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Brasil desperdiça 39,5% da água tratada, mas Teresina é o bom exemplo entre as capitais | José Osmando

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O “Estudo de Perdas de Água 2026”, divulgado ontem pelo Instituto Trata Brasil, revela a má gestão da administração pública nos cuidados com a água tratada que é servida às suas populações.

O país desperdiça 39,5% de toda a água tratada antes mesmo que ela chegue às casas dos habitantes das nossas cidades. Esse desperdício espantoso  ocorre no percurso do abastecimento, sobretudo devido a erros de medição, vazamentos nas tubulações e consumo não autorizado, os conchecidos “gatos” que clandestinamente  são instalados nas redes de fornecimento.

Os dados publicados na pesquisa são públicos e foram divulgados pelo Sistema Nacional de Informações em Saneamento (Sinisa), com base em levantamentos do ano de 2024, ganhando assim caráter oficial. Durante o decorrer de 2024 foram registradas perdas físicas de 4,4 bilhões de metros cúbidos , o equivalente a 4,8 mil piscinas olímpicas por dia, um volume que seria suficiente para abastecer 77 milhões de brasileiros.

Esse volume  desperdiçado representa mais que o dobro da água que a imensa parcela da população brasileira que ainda vive sem abastecimento em suas casas, precisaria para viver.  Esse mesmo volume jogado fora seria suficiente para abastecer 17,2 milhões de brasileiros que vivem em comunidades vulneráveis por um período de 2 anos.

O Norte e o Nordeste do Brasil, infelizmente, lideram esse ranking negativo da perda na distribuiução da água trata, pelo levantamento feito entre os anos de 2020 a 2024, com 49,43% (Norte) e 46,74% (Nordeste), com posição vergonhosa para o Estado de Alagoas, que sustenta essa deplorável liderança, com 66,90% de desperdício. Na lista que completa os três piores, estão Roraima,com 65.97% e Pará, com 57,33%, ambos na região Norte.

O Instituto Trata Brasil chama a atenção para a Portaria 788/2024, editada pelo Ministério das Cidades, que estabelece os parâmetros para que as perdas totais de água tratada no país sejam reduzidas dos atuais 39,5% para o nível de 25% até o ano de 2033, o que permitiria economizar 2,8 bilhões de metros cúbicos  por ano, gerando um lucro operacional de R$ 47,3 bilhões.

Hoje, apenas 12 dos 100 municípios mais populosos do país já conseguiram reduzir as perdas de água tratada para 25%.

E nesse cenário diferenciado e esperançoso, o grande destaque é Teresina, Capital do Piauí, que conseguiu baixar essas taxas de desperdício para apenas 19,55%, situando-se como líder absoluta entre as capitais das 27 unidades federativas.

 Esse esforço desenvolvido pela capital piauiense, que permite chegar a 2024 com esse desempenho notáel, começou a partir de 2017, quando o serviço de água e esgoto da cidade passou por uma Parceria Público/Privada, adqurida pela empresa Aegea, passando daí a contar com volumosos investimentos na melhoria do seu sistema.

 Quando tudo isso começou em Teresina, o desperdício de água tratata era da ordem de 64,1%, apresentando agora uma redução de robustos 44 pontos percentuais.

Vê-se com clareza que a tarefa é gigante, desafiadora, devendo envolver o compromisso dos gestores públicos e o acompanhamento atento da população, especialmente da chamada sociedade organizada, o que passa por Ministério Público, OAB e o papel do Legislativo. Infelizmente isso é pouco visível, notadamente em relação aos legisladores, que a cada dia perdem essa função de legislar e fiscalizar, interessados mais nos resultados de emendas Pix.

E esse desafio aumenta de tamanho quando se sabe que, além de vencer essa batalha contra o desperdídio de água tratada, as cidades precisam avançar noutra tarefa primordial, que diz respeito ao tratamento de esgoto sanitário, uma necessidade gigantesca no terreno da saúde pública.

Por José Osmando

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