Uma recente meta-análise, publicada na revista Agronomy, envolveu 55 ensaios de campo realizados em 33 locais distintos no Brasil. O foco do estudo foi a avaliação do impacto das gramíneas tropicais de raízes profundas, com ênfase especial nas do gênero Urochloa (anteriormente conhecido como Brachiaria), na produtividade da soja. Os resultados foram surpreendentes: essas gramíneas proporcionaram um aumento de 15% na produtividade da soja, o que se traduz em um incremento médio de 515 kg por hectare, resultando em uma receita adicional estimada em US$ 198 por hectare. Além disso, os indicadores de saúde do solo nas áreas onde essas gramíneas foram cultivadas mostraram melhorias significativas.
Essa pesquisa, liderada pela Embrapa, em colaboração com o Instituto Federal Catarinense, a Universidade Tecnológica do Paraná e a Embrapa Solos, evidencia que gramíneas tropicais de raízes profundas têm o potencial de atuar como insumos biológicos valiosos em práticas agrícolas regenerativas e conservacionistas. A meta-análise resume e sistematiza as evidências de diversas investigações realizadas em território brasileiro, consolidando a proposta de que essas plantas desempenham um papel crucial na intensificação sustentável da agricultura.
A pesquisadora Ieda Mendes da Embrapa Cerrados destacou a importância dessa meta-análise, afirmando que apesar do crescente uso de gramíneas tropicais no Brasil, faltava uma avaliação abrangente de seus impactos. Assim, o estudo pretendeu preencher essa lacuna, avaliando especificamente os efeitos dessas gramíneas como culturas antecessoras na soja, considerando diversos indicadores biológicos da saúde do solo.
Os critérios de seleção foram rigorosos, incluindo publicações que comparavam áreas cultivadas com gramíneas tropicais e aquelas sem, bem como estudos que abordaram a combinação de grãos e gramíneas em condições de campo no Brasil. A análise identificou um aumento significativo na atividade de enzimas do solo, refletindo mudanças benéficas na saúde do solo.
Entre os dados obtidos, 154 de 173 comparações avaliadas mostraram ganhos em produtividade, o que reforça a eficácia do uso de gramíneas tropicais de raízes profundas na agricultura. Apenas 19 comparações indicaram perda de produtividade, mas a maioria não foi considerada estatisticamente significativa e estava ligada a falhas de manejo.
Em síntese, a pesquisa mostra que as gramíneas tropicais de raízes profundas, especialmente as do gênero Urochloa, não apenas podem aumentar a produtividade da soja, mas também desempenham um papel fundamental na melhoria da saúde do solo. Essa abordagem abre novas perspectivas não apenas para a agricultura sustentável, mas também para a construção de um sistema agrícola mais resiliente e eficiente no Brasil. O reconhecimento dessas plantas como bioinsumos vivos pode, portanto, transformar as práticas agrícolas, enfatizando a importância de um solo saudável para a produção de alimentos de forma sustentável.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Ieda Mendes / Embrapa













