O Comitê Olímpico do Brasil (COB) tem destacado sua atuação no campo da sustentabilidade com a Floresta Olímpica do Brasil. Essa iniciativa, desenvolvida em parceria com o Instituto Mamirauá, está prestes a completar dois anos e ocorre na Amazônia, especificamente nas proximidades de Tefé, na comunidade ribeirinha de Bom Jesus da Ponta da Castanha. O projeto utiliza uma técnica chamada “muvuca de sementes”, que mistura diversas espécies vegetais e as lança diretamente no solo. Essa prática tem raízes em conhecimentos tradicionais, especialmente de povos indígenas, e é combinada com critérios técnicos para promover a regeneração de áreas degradadas.
A técnica adota uma abordagem naturalista, onde a semeadura inclui espécies de crescimento rápido e de ciclos intermediários e longos, reproduzindo a dinâmica natural de uma floresta. Dentre as espécies utilizadas estão caju, urucum, embaúba, açaí, jatobá, e ipê-amarelo. O objetivo é fortalecer a resiliência da área restaurada e replicar o ambiente natural da Amazônia. Até o momento, quatro dos 6.3 hectares que integram o projeto já foram recuperados, e a previsão é seguir com os esforços até 2030.
Uma característica notável da “muvuca de sementes” é sua adaptação ao contexto amazônico. Segundo Jean Quadros, analista de pesquisa e coordenador operacional do projeto, essa alternativa é mais eficaz do que o plantio tradicional de mudas. “O ambiente natural já oferece condições para a germinação adequada, o que garante eficiência e menor uso de recursos”, explicou Quadros. A técnica não apenas reduz os insumos e mão de obra necessários, como também simplifica a logística de transporte das sementes, visto que elas ocupam menos espaço.
O projeto também tem um impacto econômico e social significativo para a comunidade local. Além da restauração ambiental, as espécies semeadas poderão gerar alimento e renda, promovendo segurança alimentar e novas oportunidades de desenvolvimento. O treinamento oferecido aos moradores, que inclui a própria aplicação da muvuca, proporciona condições de autonomia para que eles repliquem a técnica em outras áreas degradadas.
Silas Rodrigues, um dos moradores envolvidos na iniciativa, expressou sua gratidão pelo aprendizado adquirido. “Aprendemos a trabalhar em harmonia com a natureza, o que nos permite manter a floresta em pé e ainda obter renda”, relatou. Essa experiência ilustra como o projeto une conservação ambiental e desenvolvimento comunitário, evidenciando o papel do esporte, representado pelo COB, como uma força impulsionadora de mudanças sociais e ambientais.
A Floresta Olímpica do Brasil se destaca ao integrar ciência e tradição para enfrentar desafios de sustentabilidade. O esporte se mostra, novamente, uma inspiradora ferramenta de transformação, promovendo uma regeneração que é, ao mesmo tempo, ecológica, econômica e socialmente sustentável.
Com informações do Comitê Olimpico do Brasil
Legenda Foto: COB usa “muvuca de sementes” para restaurar a Floresta Olímpica na Amazônia, com parceria do Instituto Mamirauá. O projeto em Tefé-AM usa técnicas tradicionais para recuperar áreas degradadas, envolvendo a comunidade local e apostando na sustentabilidade. Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá.













