Representantes de bares e restaurantes expressam preocupação com a atual competitividade do mercado de delivery, apontando que, apesar de algumas intervenções realizadas pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) nos últimos anos, as mudanças não foram significativas. A Abrasel, associação que representa esses estabelecimentos, solicita uma revisão nos contratos de exclusividade firmados entre as plataformas de entrega e os próprios restaurantes. Esses tipos de acordos cresceram consideravelmente em 2025, especialmente com a entrada de novos concorrentes como 99Food e Keeta, intensificando a disputa em um setor que anteriormente era dominado pelo iFood.
Um episódio recente envolvendo a plataforma Keeta, que pertence à gigante do delivery Meituan, ilustra bem a argumentação da Abrasel. A Keeta, ao iniciar suas operações no Brasil em outubro de 2025, enfrentou desafios e, na última quarta-feira, anunciou a demissão de funcionários no Rio de Janeiro, o que levantou questões sobre sua capacidade de lançar serviços na cidade. A empresa atribuiu o adiamento de seu lançamento em caráter definitivo à exclusividade dos contratos existentes entre restaurante e seus principais concorrentes, como iFood e 99Food.
O CEO da Keeta, Tony Qiu, manifestou sua intenção de levar o caso ao CADE, buscando a intervenção necessária para garantir um ambiente mais competitivo. Por outro lado, o iFood refutou a ideia de que o mercado carioca estava fechado à concorrência, destacando que outras plataformas continuam a expandir seus negócios na cidade. Em uma nota oficial, o iFood expressou estranheza ao considerar que os contratos de exclusividade estão impactando negativamente a entrada de novas empresas na região.
O entendimento entre iFood e CADE, formalizado em um Termo de Compromisso de Cessação (TCC) em 2023, visa restringir as práticas de exclusividade nos contratos. A Abrasel, por sua vez, pontua que seu posicionamento não é um ataque direto a plataformas específicas, mas sim um pedido de maior rigor e supervisão por parte do órgão regulador, uma vez que acredita que as estratégias utilizadas podem estar minando os efeitos de iniciativas já implementadas. A entidade ainda se posiciona como uma parte interessada no caso em andamento da Keeta e solicita que mais investigações sejam feitas em relação a contratos de exclusividade.
Diante desse cenário, é evidente que uma abordagem reforçada na regulação do setor de delivery pode ser crucial para garantir que a concorrência se mantenha saudável e que os bares e restaurantes consigam competir em igualdade de condições. A Abrasel continua a recalcular suas estratégias e buscar suporte ao lutar por um mercado mais justo e acessível a todos.
Com informações e fotos da Abrasel/BR













