Recentes investigações sobre a presença da bactéria Salmonella spp. em viveiros de peixes nativos no Mato Grosso, um dos principais polos de produção aquícola do Brasil, revelaram que 88% das propriedades analisadas apresentaram contaminação. Além disso, 31,5% das amostras coletadas estavam também comprometidas. Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), alertam sobre a necessidade urgente de implementar medidas de biossegurança para garantir a qualidade do pescado e a competitividade da aquicultura nacional.
O estudo, realizado em viveiros localizados nos biomas Pantanal e Cerrado, incluiu uma ampla gama de amostras — desde peixes e água até sedimentos e ração. As análises microbiológicas foram conduzidas seguindo rigorosos protocolos internacionais e confirmadas por testes moleculares, identificando a presença de dez sorotipos diferentes da bactéria, sendo os mais comuns os Saintpaul e Newport. Os pesquisadores observaram ainda uma resistência moderada a alguns antibióticos, mas sem a presença de cepas multirresistentes.
Fogaça, uma das coordenadoras da pesquisa, sublinha que a identificação precoce de pontos críticos de contaminação é fundamental. Isso possibilita a adoção de medidas preventivas que não apenas aumentam a segurança alimentar, mas também promovem a sustentabilidade da produção. As análises também indicaram que as vísceras dos peixes eram as mais propensas à contaminação, especialmente durante o período seco, sugerindo que fatores ambientais e práticas de manejo influenciam a dinâmica de contaminação.
Embora nenhum dos sorotipos isolados tenha sido associado a surtos graves em humanos, o estudo enfatiza que a segurança do alimento depende fortemente das etapas seguintes à produção, como o processamento industrial e o cozimento adequado, que podem reduzir consideravelmente os riscos de contaminação. Iniciativas futuras incluem a ampliação das análises para outras regiões produtoras e a elaboração de protocolos de boas práticas que possam ser implementados nos viveiros.
Os pesquisadores também estão explorando a integridade da cadeia produtiva como um todo, reconhecendo que o risco de contaminação microbiológica pode iniciar na fase de criação dos peixes, mas pode ser mitigado na indústria e pelo consumidor final. Fatores como o acesso de animais silvestres e domésticos aos viveiros exacerbam a contaminação, tornando ainda mais importante a implementação de estratégias de manejo adequadas.
Por fim, o aprimoramento da segurança alimentar é um tema crucial, e os cuidados na cozinha, como o armazenamento adequado e o cozimento completo, são práticas que os consumidores devem adotar para garantirem a segurança ao consumir peixe. Assim, simultaneamente à melhoria das práticas na piscicultura, a conscientização e educação dos consumidores também são essenciais para um sistema alimentar mais seguro e confiável.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Yuri Porto / Embrapa













