A conversão de vegetação nativa em áreas agrícolas e pecuárias nos seis biomas do Brasil teve um impacto significativo, resultando em um déficit estimado de 1,4 bilhão de toneladas de carbono na camada superficial do solo. Esse montante se traduz em emissões de aproximadamente 5,2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2 eq). Essa constatação vem de um estudo inédito que analisou extensa literatura, incluindo mais de 370 pesquisas, e identificou áreas propensas à recarbonização do solo, proporcionando assim um importante suporte para a formulação de políticas públicas e práticas agrícolas sustentáveis.
Os biomas Cerrado e Mata Atlântica se destacam como os locais com maior potencial para o aumento do estoque de carbono. Com a adoção de práticas agropecuárias mais sustentáveis, como a Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e o cultivo em plantio direto, as diferenças de carbono no solo em relação às áreas de vegetação nativa são significativamente reduzidas. A pesquisa, que envolveu a coleta de 4.290 amostras de solo em diversas profundidades e tipos de vegetação, fornece uma base sólida para entender as complexas dinâmicas do carbono em um país com tamanha diversidade.
Os resultados também revelam que, em áreas praticadas de monocultura, a perda de matéria orgânica pode chegar a 22%, enquanto sistemas integrados apresentam perdas muito menores, em torno de 8,6%. A investigação ainda revelou que regiões com clima mais ameno, como a Mata Atlântica, acumulam maiores quantidades de carbono em solo comparadas a áreas mais quentes, enfatizando a relação entre o clima e a capacidade de armazenamento de carbono.
Além de enriquecer a base teórica sobre a gestão do carbono no solo, o estudo propõe que, ao focar nas áreas mais propensas à melhora do estoque de carbono, o Brasil poderá atingir suas metas de redução de emissões no contexto do Acordo de Paris. Esses dados não apenas fornecem uma referência crucial para futuras pesquisas, mas também oferecem um panorama sobre o potencial do mercado de carbono no Brasil, atraindo investimento e fomentando uma economia mais sustentável e menos poluente.
A pesquisa é fundamental para a formulação de soluções específicas e adaptadas às diferentes realidades e biomas do Brasil, permitindo um alinhamento mais eficaz entre as práticas agrícolas e a conservação ambiental. A identificação do déficit de carbono e as estratégias para reverter essa situação não apenas reforçam a importância das políticas de recarbonização, mas também consolidam a posição do Brasil como um dos protagonistas nas discussões sobre mudanças climáticas e sustentabilidade global.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Gabriel Faria / Embrapa











