Alagoas escolheu um novo governador. JHC (PSDB) venceu a eleição estadual neste domingo (4) e garantiu ainda no primeiro turno o direito de comandar o Estado pelos próximos quatro anos.
JHC recebeu pouco mais de 52% dos votos válidos e ultrapassou a marca de 890 mil votos, derrotando Renan Filho (MDB), que terminou a disputa com aproximadamente 47%. O resultado encerrou uma eleição polarizada entre dois nomes que chegaram às urnas carregando trajetórias políticas de grande peso em Alagoas .
A vitória representa também uma importante mudança na configuração do poder estadual. De um lado estava Renan Filho, ex-governador por dois mandatos e representante de um dos grupos políticos mais tradicionais de Alagoas. Do outro, JHC, que construiu sua principal vitrine administrativa nos últimos anos à frente da Prefeitura de Maceió.
E foi o ex-prefeito quem saiu das urnas com o passaporte para o Palácio República dos Palmares.
“Libertamos Alagoas”
No primeiro pronunciamento após a confirmação da vitória, JHC adotou um discurso de ruptura política e definiu o resultado como o começo de um novo momento para o Estado.
“Libertamos Alagoas”, declarou o governador eleito, acrescentando que começava uma “nova era”. A frase sintetizou o tom político adotado após a vitória e deverá marcar o início da transição para o novo governo.
A declaração é especialmente simbólica diante do adversário derrotado. Renan Filho já havia governado Alagoas e chegou à eleição depois de ocupar o Ministério dos Transportes no governo Lula. A disputa colocou frente a frente dois projetos políticos que mobilizaram praticamente todo o cenário estadual.
A força dos grandes colégios eleitorais
Um dos aspectos mais interessantes do resultado aparece quando se observa o mapa eleitoral de Alagoas.
Renan Filho venceu numericamente em mais municípios: foram 71 cidades, contra 31 conquistadas por JHC. Ainda assim, o governador eleito conseguiu construir vantagem suficiente nos grandes centros eleitorais para terminar à frente no resultado estadual.
JHC venceu, por exemplo, em Maceió e Arapiraca, os dois maiores colégios eleitorais alagoanos. Também ficou à frente em cidades importantes como Rio Largo, Marechal Deodoro, São Miguel dos Campos, Coruripe, Maragogi, Santana do Ipanema e Atalaia.
O desenho das urnas ajuda a explicar como uma candidatura vencedora em menos de um terço dos 102 municípios conseguiu conquistar a maioria dos votos de todo o Estado.
De Maceió para os 102 municípios
A eleição estadual representa o maior salto da trajetória política de JHC.
Depois de passar pela Assembleia Legislativa e pela Câmara dos Deputados, ele chegou à Prefeitura de Maceió em 2020. Quatro anos depois, conquistou a reeleição na capital já no primeiro turno.
Agora, deixa para trás a experiência municipal e assume um desafio de outra dimensão: administrar os 102 municípios de Alagoas, com realidades econômicas e sociais profundamente diferentes entre o Litoral, Zona da Mata, Agreste e Sertão.
Durante a campanha, JHC defendeu levar para o Estado experiências adotadas em sua administração na capital, com propostas envolvendo saúde, educação, infraestrutura, segurança, abastecimento de água, agricultura e geração de empregos.
Uma eleição que redesenha o poder em Alagoas
A vitória de JHC não deve ser interpretada apenas como uma troca de nomes no comando do Executivo.
O resultado modifica a correlação de forças da política alagoana e coloca sob o comando estadual um grupo que construiu nos últimos anos sua maior base eleitoral justamente em Maceió.
Ao derrotar um ex-governador no primeiro turno e transformar sua força eleitoral na capital em maioria estadual, JHC chega ao Palácio República dos Palmares com capital político expressivo e também com a responsabilidade de provar que o modelo defendido durante a campanha pode funcionar para além dos limites de Maceió.
A campanha terminou. A partir de agora, começa outro desafio: transformar os votos recebidos nas urnas em resultados para todo o Estado.
JHC toma posse como governador de Alagoas em 1º de janeiro de 2027.












