O cenário econômico brasileiro entrou na mira das preocupações das autoridades financeiras e mesmo de parte do mercado, em face de uma sensível desaceleração das atividades de indústria, comércio e serviços, com sinais de que caminha para o que parte dos analistas econômicos chamam de deflação benigna.
Não me parece que essa desaceleração seja resultante na queda de preços de produtos e serviços causada por melhor eficiência das empresas, introdução de novas trecnologias e com isso maior produtividade. Penso mesmo que se trata de desaceleração comum, portanto mais nociva a empresas e consumidores.
Pode até, sob alguns aspectos, ser mesmo benígna, quando se olha para IPCA de julho ( Índice de Preços ao Consumidor Amplo), e se vê que no grupo Alimentação e Bebidas houve uma queda de preços da ordem de 0,67%, com o tomate caindo 29,09%, a batata-inglesa 19,59%, a cenoura 14,412% e o café moído ficando menor 2,45%.
Mas quando se volta para as atividades empresariais, o que começa a ser enxergado é que muitas grandes companhias comerciais estão mergulhadas em crise gigantesca, muitas delas buscando recuperação judicial, diante de extraordinário endividamento, certamente causado em grau elevado pelas taxas de juros exorbitantes que o Brasil vem praticando, fazendo com que pessoas, famílias e pequenos negociadores deixem de pagar os seus carnês e com isso ajudem os maiores empreendedores a entrarem no precipício.
Isso é o que está acontecendo agora, às vistas de todos, por exemplo com a tradicional Casas Bahia, uma das mais longevas e importantes empresas do mercado, agora registrando um passivo que vai aos R$ 17,3 bilhões e um prejuízo trimestral histórico. Por conta desses problemas, mandou embora 3 mil empregados e fechou quase três centenas de lojas físicas pelo país afora.
É de fato inaceitável qualquer narrativa para esse quadro de desaceleração da economia, desse começo espantoso de quebradeira de empresas, da volta do desemprego, da redução da renda e da diminuição de poder do consumidor, que não seja uma consequência destruidora das taxas de juros oficiais do Brasil, as taxas Selic, aplicadas pelo Banco Central, e impostas como ponto de partida para que instituições financeiras mantenham suas relações com os tomadores de empréstimos.
Há muito se fala disso no país, desde empresários do setor industrial, de comércio, serviços, turismo, até os consumidores de uma maneira geral, que têm enormes dificuldades para acessar o crédito em níveis civilizados, compatíveis com suas necessidades e com a realidade nacional, sem o risco de incaírem na inadimplência, deixando de pagar suas contas e levarem consigo setores ativos da economia para a derrocada.
Muito raramente esses clamores da sociedade que trabalha e produz são ouvidos pelos que integram o Comitê de Política Monetária (COPOM), do Banco Central. Preferem, sem dúvida, seguir ouvindo apenas os rentistas do mercado, aqueles que, encastelados no conforto da Faria Lima, ganham com juros cada vez mais elevados, quando não transferem sua grana para paraísos fiscais.
O Brasil possui uma das maiores taxas de juros reais do mundo, figurando na segunda posição global (com cerca de 9,33% ao ano), atrás apenas da Rússia. Em termos nominais (com a taxa básica em 14%), o país ocupa o quarto lugar internacional, atrás de nações como Turquia e Argentina.
Dias 15 e 16 de setembro o Copom volta a se reunir para uma nova decisão sobre a Selic. O bondoso mercado aposta que essa queda de 0,25% que se registra nas últimas sessões, terá continuidade, como se uma redução desse porte fosse atenuar a crise que chega forte à economia brasileira.
É esperar para ver se o peso das gravidades empresariais que começam a aparecer, terá alguma força maior, suficiente para mudar o raciocínio dessa gente.
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Por José Osmando












