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Japão está chegando para parcerias econômicas com o Mercosul e o Brasil | José Osmando

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A presença do presidente Lula, como convidado especial,  à reunião do G7, realizada entre os dias 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França, foi significativa para as relações do Brasil com o mais importante fórum das sete maiores economias e democracias do mundo, mas também serviu para ampliar as possibilidades de negócios com o Japão e com a Índia.

Especialmente com o Japão – que integra esse conjunto de países – e está interessado em diversificar os seus fornecedores de energia e minerais e, portanto, tem especial atenção pelo que as potencialidades brasileiras são capazes de lhe oferecer.

Vem daí a importância da longa reunião bilateral que a Primeira-Ministra japonesa Takaichi Sanae manteve com o Presidente Lula por ocasião da cúpula do G7. Essa foi a primeira reunião presencial dela com um chefe de Estado da América Latina, sendo a opção pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva um indicativo óbvio do quanto o Brasil interessa ao Japão.

Sabe a primeira-ministra que, nesse atual estágio do G7, é a quarta vez consecutiva que o Presidente Lula participa, como convidado da cúpula, tendo começado por Hiroshima, em 2023, no início desse seu terceiro mandato à frente do Brasil. Nosso país se firma cada vez mais em liderança regional, pois, além de papel importante no Mercosul, tem uma posição relevante como membro do Brics, construindo sólidos laços com outros importantes países e ampliando o conjunto de nações em relações recíprocas.

Isso tem sido reconhecido pelos participantes do grupo G7,  que enxergam na liderança regional de Lula, um sinal claro de que governos de outras potências, como Japão e Índia, estejam  interessados e dispostos a iniciar para valer as negociações para um Acordo de Parceria Econômica com o  Mercosul.

Brasil e Japão partem do convencimento de que, em meio aos protecionismos crescentes entre países mais desenvolvidos e a visão autoritária do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor retaliações no lugar de negociações, o Mercosul, com visível influência e liderança brasileira, precisa avançar para uma atuação conjunta, nas suas relações com outros países, para defender e fazer valer o livre comércio internacional.

E é certamente para que esse acordo de parceria econômica fortaleça as relações comerciais e os investimentos, especialmente em conjuntos como o Mercosul – que contabiliza uma população superior a 300 milhões de habitantes – que a primeira-ministra está francamente estimulando esse entendimento.

O Japão tem interesse direto no poderoso leque de terras raras e minerais críticos, em primeiro plano, mas também indica uma necessidade especial de alcançar outras fontes de energia, especialmente as renováveis, diante do esgotamento que o território japonês já experimenta.

No outro ponto, interessa aos países do Mercosul, destacadamente ao Brasil, ver suas reservas minerais sendo devidamente extraídas e beneficiadas em seus próprios territórios, valendo-se da ciência e da tecnologia que nações desenvolvidas, como o Japão, podem oferecer.

Sabe o Brasil, e nisso o Presidente Lula tem revelado crescente interesse, que a imensidão de terras raras do Brasil -embora só 30% do território nacional tenha sido até hoje mapeado – necessita de grandes investimentos para que esses minerais sejam aqui extraídos e aqui beneficiados, pois só  assim poderão gerar valor agregado. Um fator que desperta o interesse dos governantes e empreendedores estrangeiros, é o fato de que as terras raras brasileiras encontram-se em jazidas argilosas, o que constitui um relevante facilitador para exploração, evidentemente em menor tempo e a custos mais baixos.

Tudo isso vai convergindo para que países como a Índia e o Japão queiram se transformar em grandes parceiros do Brasil nas iniciativas econômicas do futuro próximo. 

É muito certo acreditar, por exemplo, que assim como a cooperação entre Japão e Brasil foi importante para  transformar a região brasileira de cerrados em uma das fronteiras agrícolas mais produtivas do mundo, assim também seja possível fazer igual transformação no campo dos minerais críticos e terras raras, em benefício particularmente das duas importantes nações, mas, certamente, também essenciais para a melhoria do mundo e a cooperação entre povos.

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Por José Osmando

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