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Jovens de 16 e 17 anos estão cada vez mais distantes da política e das eleições | José Osmando

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Chega ao fim,  nesta quarta-feira, dia 6, o prazo para que qualquer pessoa nas faixas etárias previstas em lei, possa recorrer à justiça eleitoral e habilitar-se à aquisição do título de eleitor, instrumento que o habilita a participar, com seu voto, das eleições gerais que se realizarão em outubro.

E, sem caracterizar qualquer surpresa-, mais uma vez caiu o número de jovens a partir dos 16 anos (idade em que legalmente está apto a votar) que buscou os cartórios para se tornar eleitor, reforçando uma tendência de queda  que se registra desde 2014, ou seja, há 12 anos, e que parece ter o exercício do voto e o interesse pela política partidária entrado de vez na vida desse imenso público.

Dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral, divulgados na semana de encerramento do prazo para aquisição do título, mostram que apenas 20% dos jovens aptos à emissão do título acessaram   o documento, o que representa cerca de 1,7 milhão de adolescentes entre 16 e 17 anos (primeiro título). 

Nas eleições de 2022, ao menos 2.116.781 jovens de 16 e 17 tiraram o título de eleitor, registrando um salto em relação ao pleito de 2018, um crescimento que fora impulsionado por  campanhas digitais e forte mobilização nas redes sociais.

Esse fenômeno  vem sendo analisado por sociólogs e especialistas em política como resultante de uma imensa desilusão com a política e pela profunda falta de identificação que os jovens dessa era digital têm em relação aos partidos políticos, hoje totalmente desvirtuados, banalizados, desviados de suas reais funções.

Os jovens dessa faixa de idade, parecendo decepcionados pela política partidária em vigência no país, têm se direcionado cada vez mais para as batalhas do mundo digital, abandonando pouco a pouco a presença física nas ruas, uma atividade que era comum à juventude na sua militância junto aos partidos, quer de esquerda, de centro ou de direita. 

E o mais grave de tudo isso é que a grande maioria desses jovens têm buscado identidade com as narrativas que pregam o fim das atuais estruturas de governança, uma bandeira muito presente nas mãos da extrema direita mundial.

Essa falta de interesse é constante. É só olhar para o que vem se registrando nas eleições brasileiras desde 2014, para que se possa compreender a dimensão desse apartamento dos jovens com a política e a sua indiferença pelas eleições. Enquanto, por exemplo, nós temos agora a presença de 1,7 milhão de jovens que foram à justiça buscar o seu título, no pleito de 2016 o número de jovens aptos a votar era de 2,3 milhões apenas no público de 16 e 17 anos. No  dia 2 de outubro de 2016,  2.311.120 eleitores de 16 e 17 anos tinham o título na mão.

Os dados atuais referentes às eleições de 2026 revelam que o público adolescente em condições  de votar é menor quantitativamente dos que compareceram às urnas nas eleições de 2022 e 2024.  

Três fatores têm sido fundamntais para afastar esses jovens a cada dia da política e das eleições. 

Um deles é essa estúpida polarização partidária, que se transforma em ódio pessoal e é levado às ruas e aos ambientes de mídia e redes sociais. Trata-se, de fato, de uma polarização  que sempre existiu neste país fundado em profundas injustiças sociais, fundado que foi na escravidão, e cujos reflexos perduram até hoje e, na política, se transfigura em direita/extrema direita e esquerda.

O segundo aspecto, mais grave ainda, é a falência plena dos partidos políticos como caminhos da vida vida pública, transformados que foram em balcões de negócios, em que os orçamentos secretos, rachadinhas,   emendas parlamentares, emendas PIX, são muito mais importantes e concentram sempre maior interesse da grande maioria dos políticos do que o interesse público.

Essa proliferação de desvios e de escândalos tem levado aos jovens a percepção de que o voto não faz diferença, portanto não lhes interessa. E a atitude de manter-se distante desse ambiente contaminado pela sujeira representa um gesto  que expressa um grande significado: não querer permitir que, com seu voto, essas desgraças ganhem o seu aval e sigam afetando a vida dos cidadão a a dignidade do exercício político. Me excluam disso, é o que cada um está querendo dizer ao Brasil.

Por José Osmando

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