As mulheres são as que mais sofrem os impactos dos altos preços dos produtos que adquirem e das elevadas taxas de juros que são obrigadas a pagar no cartão de crédito e nos empréstimos pessoais.
Sentem-se mais inseguras e desanimadas do que os homens em relação à situação financeira, em muitos casos afetando negativamente sua saúde. Quatro em cada dez mulheres ouvidas em pesquisa, afirmam ter o humor ruim ou péssimo em relação a essa questão dos altos preços e do endividamento.
Essas suas conclusões extraídas de uma pesquisa que o DataFolha acaba de realizar (dias 8 e 9 de abril), com mais de duas mil entrevistas, em 117 municípios brasileiros. A pesquisa foi montada em seis ítens capazes de revelar o humor dos entrevistados, nisso constando expressões como “ preocupado”, “desanimado”, “triste”, “sem esperança”, e quantop mais avançaram as expressões assinaladas, pior era o nível de contentamento em relação a sua situação financeira.
Entre os que apontaram a condição do seu humor diante do tema, 27% revelaram ser ruim e 14% consideram-se em péssimo humor, o que representa 41% das entrevistas, mas se somadas aos 24% que consideram a situação como regular, esse índice vai a 65%.
Os analistas creditam esse estágio de desânimo das mulheres a alguns fatores preponderantes.
O primeiro diz respeito à condição de inferioridade salarial das mulheres, que ganham salários em média 20% abaixo do que os homens, gerando de imediato uma situação de desequilíbrio, com imposição de vulnerabilidade financeira à mulher.
E sendo a mulher- conforme a pesquisa conclui-, menos inserida no mercado de trabalho que os homens, ficam, portanto, mais expostas a situações como endividamento e inadimplência, algo que se agrava de maneira insustentável com a incidência de taxas de juros oficiais (Selic) como entre as três mais elevadas do mundo.
E isso é uma condição que, além de afetar mais diretamente a mulher, incide mais drasticamente sobre aquelas que estão nas classes inferiores, de baixa renda.
Outro destaque que a pesquisa evidencia é o de que, nos últimos anos, tem crescido significativamente a quantidade de mulheres que têm a chefia do núcleo familiar. Muitas vezes, sozinhas, sem companheiros para partilhar, assumem a responsabilidade financeira pelas famílias, às quais se dedicam com afinco, mesmo sabendo que podem chegar a adversidades como o comprometimento financeiro e à inadimplência.
Outro aspecto significativo diz respeito ao fato de que é a mulher, dentro do lar, quem mais se preocupada com o sustento e abastecimento, ou seja, é geralmente ela quem vai às compras e, portanto, quem sente mais imediatamente a movimentação de preços e os custos dos juros aplicados às compras e aos financiamentos que são obrigadas a fazer.
E quando essa situação desanda, as mulheres têm o humor afetado significativamente, encaminhando-se, muito frequentemente, para adoecimento mental, que vai do desânimo e desesperança à depressão.
Nesse terreno da saúde mental, a pesquisa indica que a situação financeira afeta negativamente a mente de 42% das entrevistadas, enquanto entre os homens esse índice é bem menor, de 28%. Quanto à saúde em geral, 41% das mulheres sentem-se afetadas, enquanto entre os homens apenas 28%.
Nesse cenário preocupante em meio às dificuldades financeiras, quase metade dos brasileiros afirma ter buscado renda alternativa nos últimso tempos, com maiior incidência entre aqueles que ganham até dois salários-mínimos. E mais da metade (6 em cada 10), aponta algum grau de insuficiência de sua renda familair apra pagar as contas.
Essas conclusões contudentes e alarmantes surgem na exata semana em que o Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central realiza (nestas terça e quarta-feira, 28 e 29), mais uma de suas sessões, na qual vão decidir se são sensivelmente capazes de reduzir as taxas Selic a patamares mais civilizados e humanamente suportáveis.
Os juros Selic estão hoje em 14,75% ao ano, tendo baixado insignificantes 0,25% na sessão anterior do Copom, depois de mais de dois anos mantendo-se em 15% ao ano, a despeito da pressão do Governo Federal e da gritaria volumosa dos setores produtivos (especialemente da inúdstria) e das famílias consumidoras.
Visivelmente controlado pelo mercado financeiro, de modo especial pela capital especulativo que enriquece às custas de juros elevadíssimos, o Comitê de Política Monetária não conseque perceber que juros altos desistimulam o consumo, tornam o crédito mais caro ( empréstimos, financiamentos, cartões de crédito), reduzindo o poder de compra e dominuindo a produtivodade industrial.
Embora seja mecanismo eficiente para travar o aumento da inflação( o que no caso atual do Brasil não faz muito sentido, pois a inflação está em baixa e controlada), taxa de juros nos moldes das praticadas no país, por anos seguidos, afetam depressivamente a economia, com incidência nefasta sobre a produçao, o consumo, o emprego, a renda e à formação do Produto Interno Bruto(PIB), tudo neste momento bastante ameaçados.
Por José Osmando













