O estado de Alagoas inaugurou oficialmente, na quarta-feira (15), a sua quadra chuvosa, a época do ano em que as chuvas são mais intensas. De acordo com as previsões climáticas divulgadas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), o cenário que se apresenta é um tanto contrastante. Nos primeiros meses dessa temporada, as chuvas devem ocorrer em volumes superiores à média histórica, especialmente nas áreas leste do estado. No entanto, as condições meteorológicas mudarão significativamente na segunda metade do período, com uma expectativa de queda no volume de precipitações, o que pode comprometer a disponibilidade de água no estado.
O alerta mais urgente da Semarh refere-se aos primeiros meses da quadra chuvosa. As regiões do Litoral, Zona da Mata, Baixo São Francisco e Agreste são as que devem concentrar os maiores volumes de chuva. Essa previsão elevada para as chuvas aumenta a possibilidade de fenômenos hidrológicos e meteorológicos severos, demandando atenção constante e medidas preventivas rigorosas por parte das Defesas Civis e diversos órgãos estaduais responsáveis pela resposta a emergências.
Meteorologicamente, o aumento das chuvas iniciais é atribuído a anomalias positivas na temperatura da superfície do Oceano Atlântico Tropical, situadas ao longo da costa leste do Nordeste. Esse aquecimento das águas contribui para um maior transporte de umidade em direção a Alagoas, criando condições altamente favoráveis para a formação de sistemas de chuvas intensas.
Entretanto, a situação deve ser drasticamente alterada na segunda metade da quadra chuvosa. As previsões apontam para uma redução gradual nas chuvas, principalmente devido a possíveis configurações de um novo episódio do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico Equatorial. Tal fenômeno, historicamente, tende a inibir as precipitações na região Nordeste, o que gera preocupações adicionais sobre a segurança hídrica do estado.
A quadra chuvosa atual é a principal oportunidade para a recarga de fontes hídricas superficiais e subterrâneas em Alagoas. Caso essa recarga anual seja comprometida, os reservatórios podem enfrentar dificuldades, atingindo o final da estação chuvosa com volumes aquifers inferiores ao necessário. Isso certamente intensificará a estiagem prevista para o fim de 2026, aumentando ainda mais os desafios enfrentados pela população e pelas autoridades locais na gestão dos recursos hídricos. Portanto, é crucial que o estado se prepare para lidar com essas mudanças climáticas e suas possíveis consequências.
Com informações e fotos da Semarh/AL













