O trabalho rigoroso dos peritos da Polícia Científica de Alagoas foi crucial para a condenação de Felippe Silva Cirino, que recebeu uma sentença de 33 anos, dois meses e 19 dias de prisão pelo feminicídio de sua ex-esposa, a professora Joice dos Santos Silva Cirino. Ele também foi responsabilizado pela tentativa de homicídio contra o filho do casal, de 15 anos, em São Brás, no Agreste alagoano.
A decisão judicial, resultado de um julgamento que durou 13 horas, foi fundamentada na evidência sólida produzida pela perícia. O crime envolveu o uso de veneno em alimentos, o que exigiu uma investigação científica detalhada, abrangendo desde a coleta de provas na cena do crime até análises laboratoriais complexas.
Os primeiros passos da investigação foram dados assim que o crime foi reportado. A equipe do Instituto de Criminalística do Agreste (ICA) foi designada para examinar a residência onde ocorreram os fatos. A perita criminal Isadora Davi começou seu trabalho com um levantamento fotográfico, analisando o ambiente e coletando vestígios, incluindo sobras de alimentos. “Em casos de suspeita de envenenamento, é vital identificar a substância que causou a intoxicação, que pode estar presente em restos alimentares e outras amostras”, destacou a perita.
Enquanto o ICA analisava a cena do crime, o Instituto de Medicina Legal (IML) de Arapiraca procedia com a necropsia da vítima. O médico legista coletou amostras de sangue e do conteúdo estomacal, enviando essas evidências ao Laboratório de Química e Toxicologia da Polícia Científica em Maceió.
Um aspecto fundamental da investigação foi a análise dos alimentos encontrados no local. Embora os líquidos coletados não apresentassem veneno, esse resultado ajudou a descartar uma ingestão acidental e a direcionar a atenção para as coxinhas que haviam sido dadas a Joice horas antes de sua morte. O laudo, divulgado dez dias após o óbito, confirmou a presença das substâncias tóxicas sulfotep e terbufós no organismo da vítima. Utilizando técnicas como a cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massas, a equipe identificou os compostos. De acordo com Thalmanny Goulart, chefe do Laboratório Forense, essas substâncias são organofosforados altamente toxicos, amplamente restritos e proibidos para uso doméstico devido à sua alta letalidade.
Essa identificação permitiu ao Ministério Público classificar o crime como um “meio cruel”, pois o envenenamento envolve sofrimento intenso. O promotor de Justiça Alex Almeida enfatizou que a precisão dos laudos da Polícia Científica foi determinante para transformar a suspeita em provas concretas, evidenciando a premeditação do réu, que aparentemente ofereceu o alimento envenenado como um gesto de cortesia.
Kleber Santana, perito-geral, ressaltou que a resolução do caso sublinha a importância da Polícia Científica no fortalecimento da justiça em Alagoas. Ele frisou que o trabalho conjunto entre os diferentes institutos do órgão é fundamental para garantir análises técnicas que contribuam efetivamente no combate à violência contra as mulheres e à impunidade.
Com informações e imagens do Governo de Alagoas.













