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“Produção Recorde de Leite Gera Crise: Preços Caem 22,6% e Aumento nas Importações”

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Em 2025, o setor de laticínios no Brasil enfrentou um desafio significativo, resultante de uma combinação de alta produção interna e um expressivo volume de importações. Essa dinâmica ocasionou uma sobreoferta de produtos lácteos no mercado, levando a um notável recuo de 22,6% no preço médio pago aos produtores em comparação com 2024. Para 2026, as previsões indicam que mesmo com um crescimento global modesto na produção, a oferta de lácteos permanecerá substancial, especialmente no cenário internacional.

O mercado interno, embora enfrentando essa pressão, mostrou sinais de recuperação, especialmente no segmento de transações spot, onde os negócios são realizados de forma imediata e com pagamento à vista. Essa recuperação, aliada a uma melhora nos preços de bezerras e na arroba do boi, oferece perspectivas mais otimistas para o aumento de renda dos produtores brasileiros. Especialistas apontam a necessidade de estratégias de planejamento e inovação tecnológica como fundamentais para melhorar a produtividade e reduzir custos na produção.

Em 2025, a produção de leite alcançou um recorde, com uma alta aproximada de 7,2% em relação ao ano anterior. Apesar de uma diminuição nas importações de 4,2%, o Brasil ainda enfrentou um défice de cerca de 2 bilhões de litros equivalentes na balança comercial. O leite em pó se destacou como o principal produto no rol de importações. Com essa combinação de fatores, a sobreoferta resultou em declínios consecutivos nos preços pagos aos produtores a partir de abril, culminando em um preço de R$1,99 por litro em dezembro.

Por outro lado, os preços para os consumidores em produtos lácteos, que incluem leite longa vida, queijos e iogurtes, registraram uma inflação inferior, com uma queda de 3,62%. À medida que 2026 se aproxima, a demanda global por lácteos continua a refletir uma oferta aquecida, principalmente devido a aumentos significativos em países como Argentina e Uruguai. Contudo, fatores geopolíticos e margens de lucro restritas podem limitar o crescimento.

A conjuntura macroeconômica do Brasil indica uma desaceleração, com um crescimento do PIB projetado em apenas 1,8% para 2026. Este ambiente inflacionário, associado a um cenário eleitoral conturbado, impõe desafios adicionais ao setor produtor, que já viu o preço do leite cair para US$ 0,36 por kg. Contudo, o mercado spot começa a mostrar uma leve recuperação, enquanto a valorização do real pode impactar a competitividade dos produtos importados.

Além disso, há luz no fim do túnel com a recuperação nos preços de bezerras e na arroba do boi, o que pode trazer alívio financeiro para muitos produtores através da venda de gado. A evidência de uma estabilização nos custos de produção, com uma inflação de 4,3% em 2025, concebe um cenário inusitadamente positivo, onde a queda nos preços do leite não se refletiu drasticamente nas margens de lucro.

Os desafios para expandir a produção e competir no exterior permanecem. A dependência do mercado interno representa um ciclo vicioso, onde o crescimento é freado por um consumo que não acompanha a produção. Portanto, a chave para quebrar esse ciclo delírio está em melhorar a competitividade, implementar tecnologias e focar na exportação.

Recentemente, o acordo Mercosul-União Europeia abriu novas perspectivas comerciais, embora ainda dependa de ratificação. Isso pode trazer uma proteção ao setor lácteo médio a longo prazo. Para os especialistas, a necessidade de elevar os critérios de qualidade e eficiência é primordial para que o Brasil se posicione melhor no mercado global.

A heterogeneidade na produção de leite, com cerca de 513 mil produtores, traz um desafio significativo na redução da desigualdade tecnológica e na gestão. A busca por uma eficiência maior reivindica um esforço conjunto em inovação e modernização para conquistar competitividade no cenário internacional.

Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Luísa Berg / Embrapa

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