Nos últimos dez anos, a Embrapa Soja, em colaboração com o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), vem promovendo iniciativas voltadas à fixação biológica de nitrogênio (FBN) no estado. Para a safra de 2024/2025, as instituições implementaram 22 Unidades de Referência Tecnológica (URTs) em lavouras comerciais em 17 municípios. Os resultados iniciais indicam que as áreas que utilizam a coinoculação apresentaram uma produtividade média de 3.916 kg/ha, superando os 3.615 kg/ha das áreas não inoculadas. O desempenho nas URTs com coinoculação ultrapassou tanto a média estadual de 3.663 kg/ha quanto a nacional de 3.561 kg/ha, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Aproximadamente 65% dos produtores relataram ter utilizado inoculantes na cultura da soja na safra mencionada.
Desde a safra 2015/2016, a parceria entre a Embrapa Soja e o IDR-Paraná tem se dedicado a monitorar e validar práticas de FBN entre os agricultores do estado, observando um aumento médio de 8,33% na produtividade em decorrência da coinoculação. Este método envolve a aplicação simultânea de múltiplos microrganismos benéficos, potencializando a FBN e integrando vantagens econômicas e ambientais. Os dados coletados durante essa década de trabalho estão organizados na publicação que apresenta os resultados obtidos nas URTs, com a contribuição significativa de diversos pesquisadores do setor.
As URTs, inseridas em lavouras comerciais, têm se mostrado eficazes na validação das tecnologias de inoculação, permitindo um constante aprendizado prático. O uso adequado dos inoculantes não só garantiu um incremento na produtividade da soja, como também proporcionou economia ao eliminar a necessidade de adubação nitrogenada e consequente melhora na rentabilidade dos agricultores. Parte desse avanço se deve ao fortalecimento de uma rede de URTs que facilita a implementação da inoculação com as bactérias do gênero Bradyrhizobium, e posteriormente a coinoculação com a bactéria Azospirillum.
Além dos resultados agronômicos, as análises ressaltam a pluralidade das condições de cultivo nas URTs, que variam em termos de solo, clima e técnicas empregadas – fatores que contribuem para a consolidação da pesquisa e exploração dessas tecnologias. Os dados demonstram a eficácia da coinoculação, oferecendo uma base sólida para o futuro da produção de soja no Brasil, que atualmente é uma das líderes globais nesse segmento agrícola.
Estudos revelam que a inoculação com Bradyrhizobium é crucial, mesmo em áreas onde a soja já foi cultivada antes. Essa prática não só melhora a produtividade, como também contribui para a sustentabilidade da agricultura, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos. Em âmbito nacional, a adesão à inoculação anual abrange cerca de 85% dos 47 milhões de hectares de soja cultivados. Além disso, a coinoculação está em crescimento, abrangendo aproximadamente 35% dessas áreas. Em termos econômicos, os benefícios são notáveis: em 2024, estima-se uma economia de US$ 25 bilhões e a redução da emissão de mais de 260 milhões de toneladas de CO2 equivalente na atmosfera devido ao emprego dessas práticas sustentáveis. Com isso, os esforços contínuos nas pesquisas e implementação de tecnologias na fixação de nitrogênio estão moldando um panorama promissor para a agricultura no país.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Antonio Neto / Embrapa












