Pesquisadores da Embrapa Agroenergia, em Brasília, estão desenvolvendo um projeto inovador que explora as propriedades das algas marinhas para criar bioestimulantes voltados à agricultura. Os estudos realizados em casas de vegetação revelaram resultados impressionantes: um aumento de até 160% na formação de síliquas na canola e um crescimento radicular de 12% no trigo. Esses dados, embora promissores, requerem validação sob condições de campo, onde a variabilidade climática e ambiental pode impactar significativamente os resultados.
Intitulado “Algoj”, o projeto foca na extração de fitormônios de quatro espécies de algas. Durante os ensaios, duas dessas espécies demonstraram um desempenho superior em culturas de inverno cultivadas no Cerrado, uma região que enfrenta longos períodos de estiagem. O emprego de extratos marinhos tem o potencial não apenas de melhorar a resistência das plantas à falta de água, como também de impulsionar a cadeia produtiva local de algas, promovendo geração de empregos e renda.
A importância das algas vai além dos resultados laboratoriais. Elas oferecem uma plataforma sustentável de utilização da biodiversidade brasileira, apresentando uma alternativa de renda para os pescadores locais. Para Simone Mendonça e Patrícia Abrão, as líderes do projeto, essa iniciativa é não apenas uma inovação tecnológica, mas também uma oportunidade de adaptação às mudanças climáticas, potencializando a capacidade agrícola do país.
O desenvolvimento das algas focou na extração de metabólitos secundários, que atuam como sinalizadores químicos, essenciais para crescimento e desenvolvimento das culturas. O processo de extração, que envolveu diferentes métodos e técnicas, buscou maximizar a eficiência e a preservação das propriedades benéficas dos fitormônios.
Apesar dos resultados positivos em ambiente controlado, os pesquisadores foram cautelosos ao afirmar que esses ganhos precisam ser replicados em condições reais de cultivo. As experiências preliminares indicam que um aumento de 5 a 10% na produtividade em campo já seria considerável.
Por fim, o projeto já superou desafios como o transporte e a conservação dos bioinsumos, ao desenvolver um extrato seco que é mais fácil de ser manuseado e armazenado. Os testes de campo são o próximo passo da pesquisa, onde poderão ser estabelecidas diretrizes eficientes para o uso das algas em diferentes condições ambientais e de cultivo. A expectativa é que o projeto possa contribuir substancialmente para a produção agrícola, especialmente em períodos de escassez hídrica, confirmando a eficácia das algas marinhas como uma solução viável na agricultura moderna.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Agnaldo Chaves / Embrapa













