A descoberta do gene AdEXLB8, isolado de uma espécie ancestral do amendoim, representa um avanço significativo na luta contra pragas e estresses climáticos, como a seca. Essa pesquisa destaca a rica biodiversidade da América do Sul como um recurso estratégico para a agricultura moderna. Utilizando ferramentas genômicas avançadas, os cientistas estão acelerando o melhoramento genético das espécies silvestres não apenas no Brasil, mas também em outros países. A pesquisa, cujo processo de patenteamento já está em andamento, poderá ser aplicada a mais culturas, incluindo tomate, soja e algodão.
O Brasil possui um papel central no que diz respeito à diversidade do amendoim, resultado de uma combinação rica entre conhecimento tradicional e ciência. Pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em parceria com instituições tanto nacionais quanto internacionais, demonstraram que genes de parentes silvestres do amendoim podem aumentar a resistência das plantas cultivadas a vários estresses agrícolas.
Um achado interessante é que, embora o gene AdEXLB8 não confira resistência de maneira direta, ele ativa um mecanismo conhecido como “priming de defesa”. Esse mecanismo permite que a planta entre em um estado de alerta constante, como se fosse atacada por patógenos. Isso é traduzido em maior resistência a estresses como a seca e infecções por nematoides e fungos. A superexpressão do gene em raízes mostrou reduzir infecções por nematoides em até 60%, sem comprometer a produtividade ou qualidade das plantações.
O processo de pesquisa ocorreu após a constatação de que espécies silvestres de Arachis, do qual o amendoim é derivado, demonstravam maior resiliência a condições climáticas adversas. Essas características foram mantidas ao longo de milhares de anos de evolução, permitindo que essas plantas sobrevivessem em ambientes desafiadores. O conhecimento acumulado por essas espécies foi integrado a técnicas modernas. Por exemplo, ao usar a análise de transcriptoma, os cientistas conseguiram mapear a atividade gênica relacionada a respostas de defesa.
Com isso, fica clara a importância das práticas tradicionais de manejo sustentável, especialmente por parte das comunidades indígenas da América do Sul, que desempenharam um papel fundamental na domesticação e na preservação dessa diversidade. A integração entre a pesquisa científica e o conhecimento ancestral tem se mostrado valiosa para o avanço da agricultura, proporcionando novas ferramentas para enfrentar os desafios que surgem no campo, ao mesmo tempo em que preserva a rica biodiversidade que caracteriza a região.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Marcos Esteves / Embrapa












