O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou a atualização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) para a cultura do girassol no Brasil. Esta nova versão do ZARC é baseada em metodologias mais avançadas e leva em consideração seis classes de água disponível no solo, antes limitadas a apenas três.
A ferramenta de análise climática, que avalia os riscos associados às variações climáticas, agora utiliza uma base de dados meteorológicos atualizada, incorporando novos fatores de risco que envolvem as condições hídricas, térmicas e fitossanitárias. O pesquisador José Renato Bouças Farias, da Embrapa Soja, destaca que novos critérios foram estabelecidos para definir as áreas e os períodos de semeadura onde a probabilidade de perdas nos rendimentos permanecerá abaixo de 20%, 30% ou 40%, em decorrência de eventos climáticos adversos.
A nova metodologia, ao adotar uma abordagem mais precisa em relação à água do solo, possui o potencial de estimar a disponibilidade hídrica a partir dos teores de silte, areia e argila. Isso é feito através de uma equação ajustada que considera as particularidades dos distintos solos brasileiros. A proposta também antecipa a inclusão futura de diferentes níveis de manejo do solo e sistemas produtivos, permitindo um zoneamento mais abrangente e adaptável.
Além de proporcionar uma análise mais acurada dos riscos hídricos, a nova versão do ZARC leva em conta as condições climáticas que podem influenciar a ocorrência de doenças fitossanitárias. A pesquisa identificou que, por exemplo, a podridão branca é favorecida por climas frios e úmidos, enquanto a mancha de alternaria se desenvolve em condições de calor excessivo e chuvas intensas. Assim, o novo ZARC delineia áreas e períodos menos suscetíveis a riscos fitossanitários, propiciando um ambiente mais favorável para o cultivo do girassol.
Com a previsão de um cultivo superior a 63 mil hectares na safra 2025/2026, principalmente em estados como Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Mato Grosso, a cultura do girassol apresenta um potencial significativo. Contudo, a variabilidade de disponibilidade hídrica e as condições térmicas continuam a ser desafios para otimizar o rendimento da planta.
A atualização do ZARC se funda em uma vasta base de dados meteorológicos que abrange aproximadamente 30 anos de séries históricas, revisadas e consistentes, e coletadas através de redes de estações meteorológicas. Estas informações são essenciais para entender as dinâmicas climáticas que afetam a produção agrícola.
Além disso, o ZARC é utilizado como referência por programas de apoio à atividade agropecuária, visando a minimização de riscos enfrentados pelos produtores. O Brasil enfrenta, anualmente, perdas estimadas em cerca de R$ 11 bilhões devido a fenômenos climáticos extremos, e a atualização do ZARC para o girassol visa mitigar essas perdas e melhorar a estabilidade da produção rural.
Os dados do ZARC podem ser acessados através do site do Mapa e mediante aplicativo móvel disponível nas principais plataformas. Essa iniciativa não só aprimora o conhecimento sobre as melhores práticas de cultivo como também promove a sustentabilidade e a segurança alimentar no Brasil.
Com informações e Fotos do Ministério da Agricultura e Pecuária













