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Fungicidas químicos e biológicos: impacto negativo em microrganismos essenciais para abelhas sem ferrão

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Uma pesquisa recente investigou os efeitos de dois tipos de fungicidas—um biológico e outro químico—sobre os microrganismos que desempenham um papel vital na alimentação das larvas da abelha sem ferrão da espécie Scaptotrigona depilis. Os fungos presentes na mistura que compõe a alimentação larval, formada principalmente por pólen e secreções das operárias, são essenciais para o crescimento e desenvolvimento saudável das larvas.

Os cientistas observaram que concentrações intermediárias do fungicida biológico, variando entre 0,2 g/L e 0,66 g/L, realmente estimularam o crescimento dos fungos simbióticos, favorecendo sua esporulação. Esses fungos desempenham funções cruciais, como a digestão e a entrega de nutrientes às larvas. No entanto, foi notado que doses mais altas do mesmo fungicida levaram a uma diminuição do crescimento fúngico, sugerindo que mesmo produtos de origem biológica podem ter efeitos adversos quando utilizados em excesso.

Em contraponto, o impacto do fungicida químico foi drasticamente mais severo. Concentrações a partir de 2 g/L levaram à inibição total da esporulação dos fungos, resultando na eliminação completa do complexo fúngico que sustenta as larvas. A pesquisa mostrou que os fertilizantes químicos, frequentemente considerados mais eficientes, implicam riscos significativos à saúde das abelhas, especialmente no que se refere à preservação de microrganismos vitais.

A especialista que coordenou o estudo, Simone Prado, explica que o acompanhamento foi feito através da contagem de esporos e análises moleculares para identificar dois fungos essenciais: Monascus ruber e Zygosaccharomyces sp. Os resultados ressaltam a urgência de testes que avaliem a toxicidade em abelhas nativas, uma prática que ainda não é amplamente aplicada. Atualmente, muitos testes são realizados apenas com abelhas exóticas, ignorando as que são nativas e desempenham papéis igualmente importantes nos ecossistemas.

Os pesquisadores destacam a necessidade de ampliar a discussão sobre a utilização de fungicidas químicos, alertando que, apesar de não causarem morte imediata nas abelhas, podem prejudicar o desenvolvimento larval e a manutenção das colônias. No entanto, o fungicida biológico mostrou ser uma alternativa mais amigável, com menor impacto sobre os microrganismos simbióticos.

Cristiano Menezes, um dos autores do estudo, enfatiza a relevância de realizar ensaios ecotoxicológicos de maneira mais abrangente e representativa, buscando incluir as abelhas nativas, fundamentais para a saúde dos ecossistemas agrícolas e naturais. Essa pesquisa não apenas contribui para a discussão sobre a segurança alimentar, mas também aborda questões cruciais relacionadas à conservação dos polinizadores e à sustentabilidade das práticas agrícolas.

O estudo revela a importância de se considerar a saúde dos microrganismos associados às abelhas, uma relação que sustenta a polinização e, consequentemente, a produção agrícola, essencial para a economia e a biodiversidade.

Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Cristiano Menezes / Embrapa

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