A pesquisa sobre o gene AdEXLB8, isolado de uma espécie ancestral do amendoim cultivado, revela uma nova trajetória no combate a pragas e estresses climáticos, como a seca. Esse achado destaca o papel crucial que a biodiversidade da América do Sul desempenha na agricultura moderna. Com o avanço das ferramentas genômicas, o melhoramento genético de espécies silvestres está sendo acelerado tanto no Brasil quanto internacionalmente. O gene AdEXLB8, isolado da planta Arachis duranensis, não apenas demonstra potencial em aumentar a resistência das culturas a diversos estresses, mas também sinaliza uma abordagem inovadora que integra tradições agrícolas a tecnologias de ponta.
Os estudos foram realizados pela Embrapa, em parceria com instituições locais e estrangeiras, e trouxeram à luz a importância de genes de parentes silvestres do amendoim na ampliação da resiliência das plantações. Essa pesquisa, que já está em processo de patenteamento, promete se estender a outras culturas, como soja, tomate e algodão. A originalidade do trabalho reside na descoberta de que o gene AdEXLB8 não confere resistência direta. Em vez disso, ele ativa o chamado “priming de defesa”, que coloca a planta em um estado de alerta contínuo, prontamente preparada para enfrentar pragas ou estresses ambientais.
Ana Brasileiro, uma das líderes da pesquisa, explica que a produção constante da proteína associada a esse gene faz com que a planta mantenha uma condição semelhante a um “estado de adrenalina”, garantindo uma resposta rápida a adversidades sem gastar excessivamente sua energia. Isso se reflete em resultados promissores, onde plantas transgênicas de tabaco e amendoim mostraram uma resistência significativamente maior a doenças e à seca, sem comprometer a produtividade final.
A jornada do gene AdEXLB8 é um reflexo de anos de pesquisa e conservação de espécies silvestres, realizadas sob a liderança de especialistas como José Valls. Através da coleta e preservação de germoplasma, a Embrapa tem sido fundamental na descoberta de características que, ao longo de milênios, foram refinadas nas espécies silvestres de Arachis. Essas variedades mostraram uma rusticidade notável frente a condições ambientais adversas, e o trabalho de patrícia Messemberg na caracterização molecular potencializou esses estudos, possibilitando a criação de cultivares mais resistentes.
Historicamente, a utilização de materiais silvestres em melhoramento genético era vista com cautela. Entretanto, avanços na biotecnologia agora oferecem novas perspectivas, permitindo a transferência direta de genes sem a inclusão de características indesejadas. A pesquisa sobre o gene AdEXLB8 é um marco não apenas para o amendoim, mas para toda a agricultura, promovendo uma agricultura mais sustentável. A descoberta e a conservação da diversidade genética, especialmente através do envolvimento das comunidades indígenas, são fundamentais para garantir que a riqueza dos recursos naturais continue a beneficiar a agricultura futura.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Marcos Esteves / Embrapa












