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Cultivo Sustentável: Avanços no Alecrim-do-Mato Prometem Inovação para Agricultura Familiar no Semiárido

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A pesquisa e desenvolvimento de protocolos para a produção de mudas e extração de óleo essencial de Lippia grata, também conhecida como alecrim-do-mato, estão promovendo uma revolução no cultivo em larga escala dessa planta nativa da Caatinga, especialmente na região do Vale do São Francisco. Um dos diferenciais do alecrim-do-mato encontrado nessa área é o seu quimiotipo, que se distingue das variedades em outras partes do Semiárido, ampliando significativamente as possibilidades de aplicação tanto no setor agrícola quanto industrial.

O quimiotipo é crucial, pois se refere à identidade química da planta, revelando quais compostos químicos são predominantes em sua composição. O óleo essencial proveniente desse alecrim-do-mato tem demonstrado propriedades antifúngicas e antibacterianas notáveis, apresentando resultados encorajadores no combate a patógenos que afetam culturas vitais, como manga e uva. Esses avanços nas pesquisas promovem um diálogo produtivo entre bioeconomia e agroecologia, com especial atenção à inserção da agricultura familiar nas dinâmicas do Semiárido.

Os estudos iniciados pela Embrapa Semiárido em 2009 envolveram um levantamento extenso de plantas aromáticas, identificando cerca de 25 espécies no contexto de Pernambuco e Bahia. A Lippia grata destacou-se por seu valor químico e eficácia no controle de doenças agrícolas. A pesquisadora Ana Valéria Vieira de Souza, da Embrapa, ressaltou que essa planta tem se mostrado muito mais prometedora comparada a outras espécies estudadas, desencadeando três eixos principais de pesquisa: a domesticação da planta, a exploração de suas aplicações e o desenvolvimento de formulações apropriadas.

Além das características favoráveis de cultivo, como adaptação ao clima semiárido e baixa necessidade de água, o alecrim-do-mato não se propaga por sementes, exigindo um protocolo específico de reprodução vegetativa que foi desenvolvido com sucesso. A pesquisa confirmou que a planta enraíza facilmente sem a necessidade de hormônios enraizantes, o que facilita a produção em escala. Recomenda-se o uso de ramos médios da planta-mãe para a formação de novas mudas, sendo a vermiculita expandida identificada como um substrato ideal devido à sua capacidade de retenção de umidade.

A extração do óleo essencial é um foco importante da pesquisa, necessitando de cuidados específicos em sua colheita, secagem e armazenamento para garantir a alta qualidade do produto. Estudos indicam que, em condições adequadas, é possível obter entre 3 a 5 mililitros do óleo essencial a partir de 100 gramas de folhas secas. O uso de destilação é recomendado para manter as propriedades químicas e biológicas do óleo, e seu armazenamento adequado em frascos âmbar é vital para preservar sua eficácia.

Os testes também mostraram que o alecrim-do-mato possui um quimiotipo que se destaca por sua composição química mais potente, o que não apenas agrega valor ao produto final, mas também amplia as possibilidades de uso industrial. Tais resultados têm incentivado pesquisas que buscam desenvolver bioinsumos agrícolas baseados no óleo essencial da planta, com foco na ação contra fungos que comprometem a qualidade de colheitas, especialmente durante o armazenamento.

Além disso, o alecrim-do-mato tem atraído a atenção da indústria de cosméticos, levando à formação de parcerias entre a Embrapa e empresas, como a Bio Assets, que visam a criação de produtos comerciais a partir de ativos naturais da região. Com o objetivo de estabelecer uma transição para sistemas agroecológicos nos cultivos, a Embrapa está promovendo a implementação dessas tecnologias em propriedades familiares, o que, segundo Ana Valéria, representa um impulso importante para a inovação e inclusão socioeconômica no Semiárido brasileiro. A trajetória de pesquisa com o alecrim-do-mato evidencia como a biodiversidade local pode ser um motor para a geração de novas oportunidades e a construção de uma cadeia produtiva sustentável.

Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Clarice Rocha / Embrapa

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