Após mais de 18 anos de dedicação à pesquisa, a nova cultivar de uva branca sem sementes, conhecida como BRS Pérola, está prestes a ser introduzida no mercado, especialmente para os produtores da Região Sul do Brasil. Com potencial produtivo que pode atingir até 30 toneladas por hectare, a BRS Pérola destaca-se pela facilidade de manejo, associada à técnica de cultivo protegido, que utiliza a cobertura plástica. Os interessados já podem fazer reservas de mudas em viveiros autorizados pela Embrapa, e a apresentação oficial da cultivar está agendada para o dia 19 de fevereiro, durante um dia de campo em Alto Feliz, Rio Grande do Sul, e na tradicional Festa da Uva em Caxias do Sul.
Esse lançamento representa não apenas mais uma variedade, mas um avanço significativo para diversificar as opções de uvas para consumo in natura disponíveis na Região Sul, que já conta com cultivares como BRS Vitória, BRS Isis e BRS Melodia. O pesquisador João Maia, da Embrapa Uva e Vinho, ressalta a importância do aumento na produção de uvas de mesa finas, atendendo tanto ao comércio local quanto à emergente demanda do enoturismo, que impulsiona o investimento em plantações de uvas para sistemas de “colha e pague”.
As características da BRS Pérola, como bagas semelhantes às da Thompson Seedless, compreendem uma forma alongada, textura crocante e sabores equilibrados entre doçura e acidez. A pesquisadora Patrícia Ritschel aponta que as estruturas dos cachos são menos compactas, o que pode reduzir a necessidade de mão de obra durante o raleio. Além disso, o viticultor Jair Freiberger, que já colhe a nova uva, expressa sua confiança de que o novo produto será bem recebido pelos consumidores jovens, que podem se preferir a BRS Pérola à tradicional uva Itália devido à ausência de sementes.
A BRS Pérola foi desenvolvida a partir de um cruzamento genético em 2004 e tem se mostrado adequada para o clima da Serra Gaúcha, embora não seja recomendada para o Semiárido. As bagas, que podem chegar a 18 mm de diâmetro após o uso de hormônios de crescimento, possuem uma película de espessura média e uma polpa firme. O ciclo de crescimento é de aproximadamente 170 dias, culminando em colheitas em fevereiro, caracterizando-a como uma cultivar de ciclo médio.
Para o cultivo, recomenda-se o uso de sistema de latada, com um espaçamento específico entre filas e plantas. A manutenção com a poda mista também é aconselhada para maximizar a produtividade. A BRS Pérola representa uma entrega significativa da Embrapa, reforçando seu papel no avanço da viticultura brasileira através da inovação e da sustentabilidade.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Patrícia Ritschel / Embrapa












