Um grupo de estudantes de Mata Grande encontrou uma solução inovadora ao unir duas realidades que, à primeira vista, parecem opostas: o descarte de conchas de sururu em Maceió e a seca que aflige a Caatinga. Assim nasceu o AgroSururu, um hidrogel ecológico e 100% biodegradável, elaborado a partir da mucilagem da palma forrageira e do pó triturado da casca de sururu, rico em carbonato de cálcio.
Este produto não apenas condiciona o solo, neutralizando sua acidez, mas também atua como uma esponja, retendo umidade e liberando-a gradualmente para as raízes das plantas. A equipe Araújo Jorge, composta pelos estudantes Madson Nunes, Débora Lemos, Julya Fagundes e Anna Clara Japiassú, da Escola Estadual Demócrito Gracindo, conquistou uma vaga na etapa nacional do Desafio Liga Jovem, promovido pelo Sebrae. De 1º a 4 de dezembro, eles apresentarão a pesquisa em Brasília.
A trajetória para a criação do AgroSururu começou quando Débora Lemos propôs explorar o impacto ambiental do descarte de mariscos no Vergel do Lago. Com a intenção de tratar um problema real, a equipe percebia que precisava conectar a realidade de Maceió com as necessidades do Sertão. “Foi um processo de conectar duas pontas de Alagoas através da sustentabilidade”, explica Débora, destacando a importância de transformar resíduos da capital em uma solução para a seca e a perda de nutrientes da terra no interior.
Os testes de campo e as dificuldades enfrentadas na pesquisa tornaram a experiência rica em aprendizado. “Encontrar a proporção certa entre a palma forrageira e as conchas foi um desafio. Passamos semanas testando diferentes misturas”, conta Débora. Para Madson, a decisão de incluir a realidade da Caatinga foi essencial. “Ignorar os pequenos agricultores seria esquecer a essência do nosso interior”, argumenta ele.
Entre os desafios técnicos, Julya Fagundes enfrentou situações complicadas na hora de preparar a palma forrageira. A secagem da planta precisava ser prática, pois qualquer erro resultava em fermentação. “Aprendemos a ser pacientes e a ajustar as condições adequadas para obter o material certo”, relembra.
Anna Clara Japiassú, por sua vez, guarda memórias vivas do dia em que a conexão de internet caiu durante uma apresentação virtual da etapa estadual. Foi um momento de tensão, mas a equipe conseguiu reverter a situação e se classificou para a semifinal. “Toda a nossa jornada é um reflexo do que a educação pública pode proporcionar”, afirma.
O papel da professora Thaís Souza foi fundamental. Ela se dedicou a apoiar os estudantes, superando burocracias e ajudando na coleta de material para o protótipo. A parceria e o suporte da docente foram essenciais para que cada etapa da pesquisa fosse realizada com sucesso.
O projeto AgroSururu representa o potencial da juventude alagoana em combinar conhecimento científico e demandas locais. Com uma visão voltada para a sustentabilidade, esses jovens se destacam como exemplos de inovação e empatia, mostrando que, mesmo com poucos recursos, é possível fazer ciência de impacto e transformar desafios em oportunidades.
Com informações e imagens do Governo de Alagoas.












