Eletroconvulsoterapia Moderna: A Nova Abordagem no HEPR
Por Betty Costa – Ascom HEPR
O Hospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), vinculado à Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), apresenta aos residentes de Psiquiatria a eletroconvulsoterapia (ECT). Sob a orientação do psiquiatra Igor de Oliveira Pinto, esse tema é parte do módulo teórico de Psiquiatria Intervencionista. Vale destacar que o HEPR não realizava esse procedimento há bastante tempo.
Popularmente conhecido como eletrochoque, a ECT tem uma história associada a práticas dolorosas e sem anestesia. O debate sobre sua utilização se intensifica anualmente em 22 de outubro, data que marca um protesto global.
De acordo com Igor de Oliveira Pinto, a ECT moderna é realizada com anestesia geral, relaxantes musculares e rigorosa monitorização clínica. “No Brasil, seu uso é regulamentado e deve ocorrer em condições adequadas, com profissionais qualificados”, ressalta.
O psiquiatra também destaca os potenciais riscos, como efeitos cognitivos e alterações de memória, que devem ser discutidos previamente com os pacientes. As principais indicações para a ECT incluem:
- Depressão grave resistente a tratamentos;
- Catatonia;
- Episódios maníacos graves;
- Casos específicos de esquizofrenia com catatonia ou sintomas persistentes.
“A decisão pela ECT deve considerar a gravidade e a urgência do caso, além do histórico do paciente”, explica Igor, enfatizando que o tratamento não é indicado para todos, mas pode ser crucial em determinadas situações.
Formação de Novos Psiquiatras
Como preceptor, Igor acredita que é essencial que os futuros psiquiatras compreendam a ECT, não para promover seu uso indiscriminado, mas para evitar que preconceitos e desinformação impeçam pacientes de receber esse tratamento que pode ser decisivo.
O residente Pedro Bradley, do R3, reforça a importância do módulo, explicando que a ECT é um tratamento regulamentado e realizado em ambiente controlado. O paciente é monitorado continuamente durante o procedimento, que é feito em jejum e sob anestesia breve, evitando os movimentos involuntários que geralmente são retratados de forma distorcida na mídia.
A ECT é especialmente indicada para pacientes que não responderam a pelo menos dois antidepressivos adequadamente administrados, apresentando taxas de resposta de 70% a 80% e de remissão de 50% a 60%.
Além da depressão, a ECT é considerada para catatonia grave, esquizofrenia resistente e situações onde medicamentos não podem ser utilizados de forma segura, como em gestantes e idosos. Pedro enfatiza que os riscos devem ser sempre ponderados, já que não existem contraindicações absolutas. Efeitos colaterais como dor de cabeça e perda temporária de memória costumam ser passageiros, e novas técnicas ajudam a minimizar esses impactos.
Igor conclui que a ECT não deve ser romantizada, mas entendida em sua totalidade. Para uma psiquiatria verdadeiramente humana, é necessário apresentar opções terapêuticas baseadas em evidências, reconhecendo benefícios e limitações, e superando preconceitos no cuidado ao paciente.
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Com informações e fotos da Uncisal












