A humanidade – que ao longo da história tem alcançado grandes conquistas, revolucionários avanços no campo da ciência e das tecnologias, com o advento de extraordinários inventos e superação de obstáculos vistos como intransponíveis- , sempre esteve também imersa em derrocadas deploráveis e numorosos conflitos armados.
Guerras que levam à exterminação de milhões e milhões de vidas, deixando à vista um vasto cenário apreensões e incertezas, infindáveis dúvidas geradoras de insuperável medo.
Mas, com absoluta clareza, nunca se viu essas dúvidas, temores e incertezas ganharem a dimensão que hoje alcançam, em razão da chegada, que se mostra definitiva, sem atalho e sem retorno, da chamada Inteligência Artificial.
Desde os passos iniciais nos laboratórios das décadas de 1940 e 1950, com o desenvolvimento dos primeiros neurônios artificiais, passando pelo conhecido “Teste de Turing”, em 1950, quando Alan Turing propôs avaliar a capacidade de uma máquina pensar, a IA aí está a nos causar surpresa, dúvida e temor, nesse seu papel de desenvolver máquinas e programas computacionais que sejam capazes de reproduzir o comportamento humano na tomada de decisões e na realização de tarefas antes exclusivas aos humanos.
O debate sobre riscos e vantagens da IA para a humanidade está por todos os cantos. Desde os ambientes científicos, nos quais se planeja obter avanços e alargar vantagens sobre seu uso, até nos meios de comunicação e organismos governamentais que possam servir-se da IA, mas também dela correr o risco de ser atingidos negativamente, não se para de falar sobre riscos e vantagens, males e benefícios que a IA pode trazer ao cotidiano da vida dos cidadãos, das empresas, das organizações, da comunicação social e dos países.
Nos meios de mídia, especialmente, num mundo em que cada pessoa, com o avanço da internet, das redes sociais e agora mais ainda da IA, passou a ser um comunicador, sem filtro e sem censura, há o temor de que a IA possa ficar a serviço da desinformação, da mentira, da proliferação de ódio e da instigação à violência, sobretudo num país como o Brasil, que há anos passa por experiências desagradáveis nesse terreno, e em que ocorrem neste ano de 2026 eleições gerais para Executivo da Nação e dos Estados e renovação do Legislativo.
Sou dos que crêem que a IA ( a inteligência humana potencializando as tecnologias, como prefiro enxergar), pode trazer benefícios reais às nações e aos cidadãos, desde que se dê a esses recursos finalidades dignas de utilização.
Agora mesmo temos notícia de um bom aproveitamento da IA pela AGU (Advocacia-Geral da União), que vem incorporando a inteligência artificial generativa aos processos de trabalho da instituição voltados à gestão e produção de documentos jurídicos e administrativos. Das mais de 600 auditorias realizadas no ano de 2025, 388 contaram com o auxílio desse sistema.
O uso da IA pela AGU permitiu automatização da triagem de milhões processos, gerando minutas inteligentes, criando editais padronizados em segundos e entregasse dossiês automaticamente aos advogados, o que representa um avanço expressivo no combate à corrupção, na lisura de compras e licitações, numa demonstração de que o bom uso de tecnologias inteligentes deve estar sempre presente na conduta dos gestores públicos.
Os dirigentes da AGU mostram-se satisfeitos com o uso da IA nos seus procedimentos, garantindo que isso tem trazido segurança jurídica, padronização e velocidade aos processos de compras públicas. Rompendo um ciclo histórico de que em muitos locais, em prefeituras e Estados e até mesmo na União, os atos de corrupção se valem muitas vezes da demora dos processos, que dormem em gabinetes para se valer de ilicitudes, a tecnologia agora aplicada classifica documentos em grande velocidade, automatiza a redação de editais e contratos, classificando-os, e atua na prevenção de irregularidades, liberando os procuradores para análises estratégicas mais complexas.
Eis aí um bom sinal de que a IA pode de fato ser um instrumento eficiente de um bom e relevante serviço público.
Por José Osmando













