No cenário dos exames práticos do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran/AL), um momento significativo ocorreu quando Jamily Correia, uma mulher de 33 anos, destacou-se entre os homens que aguardavam para realizar o teste de direção da categoria D da Carteira Nacional de Habilitação. Jamily já tinha experiência ao volante, mas decidira dar um passo corajoso rumo à independência e a novas oportunidades. Sua aprovação nessa categoria, que permite a condução de veículos de grande porte, representa não apenas uma realização pessoal, mas também um marco em um contexto onde a presença feminina na pilotagem ainda é uma exceção.
Em Alagoas, cerca de 209.963 mulheres possuem carteira de habilitação, mas apenas 1.103 se encontram habilitadas nas categorias D e AD, refletindo a disparidade entre gêneros no campo da condução. Jamily, antes de entrar na sala de testes, expressou sua preocupação ao perceber o olhar curioso dos homens ao seu redor. “Parece que eles pensavam: ‘O que ela está fazendo aqui?’. Para muitos, ainda é um ambiente intimidador”, disse. No entanto, essa sensação não a desanimou. Para Jamily, sua presença ali significa abrir portas e oportunidades para outras mulheres que sonham em desafiar normas estabelecidas. “Digo a todas: não se acanhem. Vocês têm a capacidade de conquistar seus espaços, seja nas estradas ou em qualquer lugar”, enfatizou.
Seu desejo de tirar a habilitação na categoria D surgiu inicialmente da vontade de viajar e, eventualmente, trabalhar fora do Brasil, especificamente em Portugal. Jamily viu nessa nova licença uma chance para diversificar suas habilidades profissionais. Durante o exame, a presença de uma examinadora mulher, formada e competente, reforçou o avanço feminino em um setor historicamente dominado por homens, simbolizando uma mudança progressiva nas dinâmicas de gênero.
Sendo a caçula de uma família com onze irmãos, Jamily é a única mulher habilitada entre eles. A conquista da licença não foi apenas um triunfo profissional, mas também um orgulho para sua família, especialmente para sua mãe. Apesar das dúvidas e comentários desencorajadores que enfrentou ao longo do caminho, como a cínica afirmação de um irmão de que “só um milagre permitiria sua aprovação”, Jamily provou que é possível superar expectativas e preconceitos. “Quando passei, liguei para ele e disse: ‘O milagre aconteceu!’”, recordou, com um sorriso.
Por fim, Jamily deseja inspirar outras mulheres a se desafiarem e a buscarem seu crescimento profissional, independente do campo onde atuem. Seu recado é claro: “Não se contente com pouco. Saia da zona de conforto e busque novos horizontes. Se você tem um sonho, vá atrás dele, não importa o quão grande seja.”
Com informações e fotos do Detran/AL













