A Abrasel expressou sua preocupação em relação a propostas legislativas que buscam estabelecer um tabelamento na taxa de entrega do serviço de delivery. A entidade argumenta que a fixação de um valor mínimo por entrega pode acarretar sérios prejuízos, especialmente para os consumidores das classes B e C, que já enfrentam desafios financeiros. Um aumento no custo do delivery poderia restringir o acesso a esse serviço a uma camada mais elitizada da população.
No contexto atual, o modelo do delivery no Brasil é predominantemente baseado em pedidos de baixo valor e entregas de curta distância. A implementação de uma taxa mínima obrigatória não leva em consideração essa dinâmica, criando um ônus financeiro que se refletirá diretamente nos preços cobrados dos consumidores. Isso resultaria em um cenário no qual os pedidos se tornam mais onerosos, levando a uma queda na demanda e tornando o serviço menos acessível.
Para a Abrasel, a discussão sobre a remuneração dos entregadores deve seguir um caminho diferente. A entidade propõe um modelo que considera a valorização do trabalho por hora, assegurando maior previsibilidade e proteção social, ao invés de um tabelamento que pode afastar os consumidores e diminuir o número de pedidos. Segundo Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel, a imposição de um valor mínimo por entrega não só encarece o serviço, mas também diminui o movimento de restaurantes, impactando diretamente a renda dos entregadores.
Pesquisas indicam que os consumidores são sensíveis a alterações nos preços de entrega, e muitos já manifestaram a intenção de reduzir ou até eliminar pedidos por aplicativos caso os valores aumentem. Este comportamento pode provocar uma retração significativa no mercado, vez que aumentos mal calibrados tendem a prejudicar o volume total de pedidos, em vez de beneficiar financeiramente as empresas envolvidas.
A situação do setor, por sua vez, é alarmante. Dados apontam que quase um quarto dos estabelecimentos enfrenta prejuízos, dificultando a recomposição de margens e investimentos, o que torna qualquer incremento de custo ainda mais preocupante e pode aprofundar a crise do setor. A Abrasel, portanto, defende soluções equilibradas que não apenas protejam os trabalhadores, mas também mantenham o acesso dos consumidores e garantam a viabilidade de pequenos negócios.
Com informações e fotos da Abrasel/BR












