A pesquisa desenvolvida pela Embrapa revelou um avanço significativo na redução das emissões de óxido nitroso em lavouras de feijão, especialmente sob o sistema de integração lavoura-pecuária (ILP). A coinoculação, que envolve a utilização conjunta de bactérias fixadoras de nitrogênio e um micro-organismo produtor de hormônios vegetais, conseguiu diminuir em 50% as emissões de N2O em comparação ao uso de ureia, um fertilizante sintético amplamente empregado. Essa descoberta é crucial, uma vez que o óxido nitroso possui uma capacidade de retenção de calor superior à do dióxido de carbono e uma durabilidade maior do que a do metano, contribuindo, assim, para o aquecimento global.
Os experimentos foram realizados na Fazenda Capivara, em Santo Antônio de Goiás, um local que adota as práticas de ILP há duas décadas. O manejo na fazenda consiste no cultivo de capim braquiária por três anos, que é utilizado como forragem para a alimentação do gado durante períodos de seca. Após esse período, a palhada da braquiária é dessecada para o cultivo de grãos durante a safra de verão, em um sistema de plantio direto.
A análise detalhou a performance da variedade de feijão carioca BRS FC104, cultivada de duas formas: com aplicação convencional de ureia e por meio do método de coinoculação. Para a coinoculação, foram utilizadas duas espécies do gênero Rhizobium e uma de Azospirillum, tratando as sementes para facilitar a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN). Os resultados mostraram que a lavoura de feijão que recebeu a coinoculação em vez da ureia apresentou uma diminuição substancial na emissão de óxido nitroso, sem comprometer a produtividade, que se manteve em cerca de 3,2 mil quilos por hectare, superior à média nacional.
Além de reduzir a dependência de fertilizantes sintéticos, essa abordagem promete um menor impacto ambiental, alinhando-se às exigências de práticas agrícolas mais sustentáveis. Há um crescente interesse acadêmico e no setor agropecuário pela utilização de bioinsumos como alternativas aos insumos tradicionais. As pesquisas continuam a evoluir, revelando novas possibilidades para a agricultura, com ênfase em sistemas que favorecem a eficiência no uso de recursos, conservação do solo e mitigação de impactos climáticos. As práticas de coinoculação e diversificação de cultivos em sistemas integrados representam um importante passo em direção a uma agricultura menos poluente e mais resiliente, beneficiando tanto a produção quanto o meio ambiente.
Com informações da Embrapa
Fotos: Foto: Márcia Thaís / Embrapa












