Em meio aos crescentes preocupações com a saúde mental e física das crianças, os transtornos alimentares têm se mostrado um problema significativo. A nutricionista Aline Martins, do Hospital da Criança de Alagoas, destaca que doenças como bulimia, anorexia e o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE) estão se tornando cada vez mais comuns entre o público infantil. Embora muitas vezes essas condições sejam associadas a adolescentes e adultos, elas podem surgir já na infância, impactando a relação das crianças com a comida de maneiras profundas e complexas.
A bulimia, por exemplo, é marcada por episódios de compulsão alimentar, seguidos de comportamentos extremos para evitar o aumento de peso, como induzir o vômito ou o uso excessivo de laxantes. Por outro lado, a anorexia é uma condição onde a criança desenvolve uma obsessão em relação ao peso e à sua imagem corporal, muitas vezes se vendo acima do peso mesmo estando em um estado de magreza extrema. Já o TARE refere-se ao comportamento de evitar determinados alimentos ou restringir a quantidade consumida, decorrente de uma variedade de fatores, como aversão a texturas e odores, ou mesmo medo de consequências negativas.
Segundo a nutricionista, esses transtornos não surgem do nada; estão frequentemente associados a pressões externas, como as expectativas sociais e estéticas que permeiam a vida das crianças, especialmente através das mídias sociais. Em muitos casos, também podem ser sintomas de problemas emocionais mais profundos, como ansiedade.
Quando esses distúrbios são identificados, é crucial buscar a ajuda de um profissional especializado. Aline Martins enfatiza que o papel do nutricionista não é apenas criar um plano alimentar restritivo, mas sim promover um relacionamento saudável com a comida. O acompanhamento deve ser focado na construção de uma abordagem segura e favorável ao ato de se alimentar, ressaltando a importância do bem-estar psicológico e físico da criança.
Para aqueles que buscam assistência, o Ambulatório do Hospital da Criança proporciona um acesso facilitado ao acompanhamento nutricional para crianças até 13 anos e 11 meses de idade. O atendimento ocorre por meio de agendamento, que pode ser realizado nas Unidades Básicas de Saúde ou nas Secretarias Municipais de Saúde mais próximas. Essa iniciativa visa garantir que as crianças que enfrentam dificuldades alimentares possam receber o suporte necessário para superar os desafios relacionados à sua alimentação e saúde.
Com informações e fotos da Sesau/AL













