Em um trágico acidente ocorrido em 31 de março de 2026, Rhavy Lucca da Silva Pereira, uma criança de apenas três anos, se tornou um exemplo emblemático das severas consequências da imprudência no trânsito. O pequeno estava voltando do sítio com seus pais quando o veículo em que viajavam, uma motocicleta, foi colidido por um caminhão baú na rodovia AL-220, em Delmiro Gouveia, Alagoas. No momento do impacto, Rhavy era o único que não estava usando capacete. O acidente resultou em ferimentos graves e, tragicamente, levou à morte de sua mãe.
Após o acidente, Rhavy foi rapidamente resgatado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e levado para o Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS). A gravidade de seus ferimentos exigiu uma transferência para o Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, uma das principais referências em atendimento a casos de politraumatizados em Alagoas. Durante a internação, que se estendeu por quase três meses, Rhavy enfrentou um período crítico na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde recebeu cuidados de uma equipe médica altamente qualificada. Segundo o diretor médico do HGE, Miquéias Damasceno, a agilidade na resposta da rede de saúde foi crucial para garantir a sobrevivência do menino.
Infelizmente, a gravidade dos ferimentos resultou em paraplegia, consequência de uma lesão medular. A pediatra Ana Carolina Ruela chama a atenção para como essa condição afeta não apenas a mobilidade de Rhavy, mas também seu futuro e os sonhos que estão sendo moldados por essa difícil realidade. A equipe médica do HGE iniciou um programa de reabilitação que inclui fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia, com o objetivo de reverter ao máximo possível os danos provocados pelo acidente.
Após receber alta, Rhavy retornou ao conforto do lar, onde sua recuperação continua com o suporte da família. Entretanto, sua tia, Joana Pereira da Silva, deixou um apelo às famílias que utilizam motocicletas como meio de transporte. Ela enfatizou a importância de não ultrapassar o número de passageiros permitido e sempre garantir o uso adequado de capacetes. Joana expressou a dor que a família enfrenta e ressaltou como é necessário que outras famílias aprendam com essa experiência, evitando que novos acidentes como o de Rhavy se repitam.
Em 2025, o HGE registrou 2.429 atendimentos relacionados a acidentes de moto, evidenciando a gravidade do problema no Brasil. A realidade é alarmante e a legislação existente, que proíbe o transporte de crianças menores de 10 anos em motocicletas, muitas vezes é ignorada. O cirurgião geral Amauri Clemente alerta que o desrespeito às normas de segurança tem causado consequências que vão muito além das lesões físicas, impactando emocional e financeiramente as famílias envolvidas. Para Rhavy e sua família, o caminho à frente é desafiador, mas o apoio e o amor em sua reabilitação são fatores fundamentais para a superação.
Com informações e fotos da Sesau/AL













