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Taxas Selic nas alturas colocam o agronegócio em severo endividamento | José Osmando

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Numa participação dias passados durante um evento do setor bancário, o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, fez uma alusão à política de juros do Banco Central, e afirmou que a estratégia monetária adotada pelo governo anterior foi errada, por ter contribuído diretamente para a disparada da inflação, deteriorando o ambiente econômico.

O que fizeram foi fixar os juros a 2%, e daí o câmbio disparou e a inflação veio na sequência. A inflação chegou a dois dígitos. “ Como é que você entra numa eleição com inflação de dois dígitos?”, perguntou Haddad, para sustentar que esse quadro foi responsável para derrotar Bolsonaro em 2021. Com inflação a 13% não tinha como a dívida pública não cair, mas está privado que essa não era a solução deseja para o país. 

O que o ministro Haddad estava dizendo é que a política de juros do Banco Central tem obrigatoriamente, sem viés politico-partidário, estar centrada na realidade econômica do momento. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Se a política da  Selic desceu os juros ao piso de 2% em 2021, e trouxe com isso inflação corrosiva, o mesmo tem que se observar em relação às taxas estratosféricas que o Banco Central vem mantendo há mais de dois anos.

Nessa mesma linha de raciocínio o governo, com Haddad à frente, tem levantado severas críticas ao BC por conta da atuação do Copom que mantém a Selic em 15% ano ano. Quando descontada a inflação, que hoje no Brasil é baixo, cerca de 1/3 do que era em 2021, temos o desprazer de segurar a bandeira de segundo lugar no mundo. 

Até bem bem pouco, a gritaria contra os juros elevadíssimos do BC vinham dos setores econômicos ligados a indústria, serviços, turismo, gastronomia, e dos consumidores de modo em geral, que vêm nos juros altos um empecilho ao seu poder de compra. 

Agora, porém, os fortes e influentes setores da produção rural estão mostrando a cara, para dizer que também estão sofrendo. O quadro que as lideranças do agronegócio expõem dão conta de que os juros altos estão fazendo as instituições bancárias refluírem na oferta de crédito. 

Custeio e investimento tiveram recuos de 23%. Os valores para custear a produção caíram de R$ 135,1 bilhões para R$ 117 bilhões nos sete meses terminados em janeiro. Com apetite menor para investir num cenário de juros altos, as operações de longo prazo, sobretudo para compra de máquinas, regrediram de R$ 65 bilhões para menos de R$ 50 bilhões. 

Os desembolsos para comercialização caíram 14%, para R$ 19,6 bilhões. Já os empréstimos para industrialização subiram 42%, para R$ 20,6 bilhões. A tudo isso, pela redução de crédito e pela insistente presença de juros imorais, o endividamento do setor- que antes batia na porta das famílias e de agentes produtivos de outros setores-, agora chega às porteiras da fazenda e ameaçam o agronegócio, setor exponencial na balança comercial do Brasil.

Com essas notícias ruins que agora nos chegam, é de esperar-se que os detentores do capital instalados na Faria Lima despertem, e parem de manipular o Copom do BC no seu ganancioso afã de juros sempre mais altos, com os quais ganham muito mais nas especulações financeiras.

Por José Osmando

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