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Meninas são o dobro dos desaparecidos no Brasil e esse número está crescendo | José Osmando

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Brasileiros focados no bem, preocupados com o que ocorre de desgraças também com os demais, mesmo que desconhecidos, têm acompanhado com interesse e apreensão, o drama da mãe Clarice Cardoso, cujos filhos, Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, estão há mais de um mês desaparecidos no interior do Maranhão, sem nenhum pista segura, até o momento, sobre o paradeiro dessas crianças.

Como bem define a própria mãe, “é uma dor insuportável, que piora a cada dia, a cada ausência de notícia, algo tão terrível que não posso desejar  a ninguém tamanha dor.” 

Esse drama dilacerante do desaparecimento de um filho tem acompanhado a crônica jornalística e chegado ao cinema, como bem demonstra a série de televisão All Her Fault ( ou Tudo Culpa Minha), que retrata o pesadelo de pais que enfrentam o sumiço repentino de uma criança, explorando culpa, desespero e segredos familiares. O enredo foca na busca angustiante e incessante, na desconfiança, na revolta e no desmantelamento emocional de familiares sem resposta.

E aqui não estamos tratando de casos isolados. 

Apenas no ano de 2025, o Brasil registrou um amargo recorde de 84.760 pessoas desaparecidas, com uma média assustadora de 232 casos por dia, e o registro de um crescimento de 4,1% na comparação com 2024. E mais triste ainda, é saber que desse total, 3 em cada 10 desaparecidos ( nada menos do que 23.919 registros, correspondendo a 28% do total), foram crianças e adolescentes. E embora os homens liderem as estatísticas gerais, as meninas são maioria (62%) entre os menores. 

Com referência às crianças, o aumento de casos foi ainda maior do que os registros gerais, com percentual de crescimento de 8%, o dobro da totalidade( que foi de 4,1%).

O Brasil instituiu em 2019 uma Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparcidas, que se tornou ineficaz a partir de 2020, no advento da Covid-19. Dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública mostram que os desaparecimentos voltaram a subir, após razoável queda no período mais aguda da pandemia. Os Estados com maior incidência de desaparecidos são São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais.

Os contextos dos desaparecimentos são encontrados na vulnerabilidde que esses desaparecidos  sofrem dentro de casa, como violência doméstica, exploração sexual e graves conflitos familiares , e a maioria dos registros é detectada entre sexta-feira e domingo.

Nessa realidade dos desaparecimentos, sobretudo quando diz respeito a crianças e adoelscentes, há um frequente sentimento de culpa instalado dentro das famílias, sobretudo nos casos em que se detecta que as motivações pelas fugas decorreram de conflitos familiares, da violência e de abusos dentro de casa.

Mas existe também uma insatisfação generalizada com os sistemas oficiais de proteção às famílias, que demoram as providências de buscas e geralmente são ineficientes nos resultados.

As famílias precisam estar conscientes de que a realização de registro de desaparecimento na polícia e órgãos de proteção deve ser imediata. Não é recomendável esperar 24 horas para registrar o desaparecimento. 

A notificação  imediata é crucial, e quase sempre ajuda significativamente no resultado das buscas. Os caminhos para isso são o telefone 181 ou as delegacias especializadas que já existem em muitas cidades do país.

Como crianças e adolescentes usam atualmente com mais assiduidade as redes sociais, usar esses meios para comunicação sobre desaparecimentos é importante, do mesmo modo como é essencial o trabalho dos meios formais de comunicação, especialmente rádio e tv, que levam a grandes alcances, para envolver a sociedade e facilitar o encontro dessas pessoas desaparecidas.

Por José Osmando

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