Uma constatação que vem afetando a economia dos Estados brasileiros e trazendo incômodo e contrariedades à população, diz respeito ao fechamento progressivo de agências bancárias nas mais diferentes cidades do país, um processo que se instalou no planejamento dos grandes bancos há mais de 10 anos, e vem se acelerando nos últimos tempos, influenciado pela digitalização dos serviços bancários.
Esta semana se inicia com o alerta levantado no Ceará de que somente nestes últimos cinco meses do ano nada menos do que 28 unidades tiveram suas atividades encerradas naquele Estado. As agências fechadas, na sua quase totalidade, integram a rede dos três principais bancos privados do Brasil. No mesmo Estado do Ceará já haviam sido fechadas 20 agências em 2022, 5 unidades em 2023, 25 em 2024 e 62 agências desativadas em 2025.
Essa é, infelizmente, uma realidade que não está localizada, centrada em algum Estado brasileiro, mas disseminada pelo país.
Nos últimos 10 anos, conforme dados oficiais da própria Febraban e das entidades ligadas aos bancários, o Brasil já perdeu 37% das suas agências bancárias físicas, reduzindo seu total para pouco mais de 14 mil.
Desde 2015, 638 municípios brasileiros ficaram completamente sem qualquer agência bancária, afetando uma população superior a 20 milhões de brasileiros.
Apenas para ficar nesee retrato sobre o Nordeste do país, e não apenas com o Ceará, vamos lembrar que a Bahia perdeu 46 agências bancárias entre janeiro e novembro de 2025, fechamento impulsionado por dois dos três maiores conglomerados privados, e em uma década já acumula a perda de 340 agências, tornando diversos dos seus municípios desproviddos integtralmente de qualquer serviço bancário físico.
Em Pernambuco, que já registrava 24 unidades fechadas nos últimos dois anos, teve apenas entre março de 2025 e março de 2026, mais 47 agências com atividades encerradas, conforme dados divulgados pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco com base em informações do Banco Central.
No Rio Grande do Norte foram fechadas 46 agências bancárias na última década, em Alagoas foram registradas 63 unidades encerradas, e na Paraíba a rede encolheu em relação ao pico histórico de 2014, impulsionado pela digitalização dos serviços financeiros.
Os dados referentes ao Piauí dão conta de que dos 224 municípios apenas 65 cidades contariam atualmente com agências bancárias físicas, o que demonstra o avanço da exclusão bancária presencial no interior. Seriam 159 municípios desprovidos, o equivalente a quase 58% das 224 cidades do estado, não contando com nenhuma agência bancária física tradicional.
O fechamento de agências bancárias não é uma coisa simples para os cidadãos, uma vez que isso obriga a uma mudança radical de rotina, principalmente para aqueles que fazem negócios e necessitam de um apoio financeiro físico para suas motimentações. Isso obriga os moradores de cidades pequenas a viajarem para outros municípios para realizar serviços básicos presenciais.
Com o alegado avanço da digitalização e de ferramentas como o Pix, centenas de municípios no Brasil ficaram totalmente sem unidades físicas de atendimento, numa demonstração de que nem tudo na vida são flores e toda moeda tem sempre duas faces.
Essa mudança afeta a rotina e a economia local de formas bem específicas e a cada dia se torna mais preocupante.
As comprovações que muitas pessoas afetadas têm feito são de que as agências que ficam abertas nos maiores conglomerados urbanos e agora passam a receber essas pessoas vindas de lugares em que houve encerramento de atividades, ficam sobrecarregadas, com excesso de atendimento por funcionário e, em consequência, pior tratamento a quem já foi obrigado a esse enfrentamento.
Pessoas idosos, portadores de deficiência, mulheres grávidas, todos passam a ter mais desconforto nesses deslocamentos de cidades e no tratamento superlotado que vão ter que aguentar nas agências físicas de outros municípios.
No período que compreendeu a pandemia da Covid-19 e dois anos seguintes, até 2023, o Nordeste do Brasil já havia perdido 491 agências bancárias, conforme dados do Banco Central. No período mais recente, já são contabilizadas mais 340 agências fechadas, passam de 830 os postos físicos com atividades encerradas. São mais de 10 milhões de nordestinos atingidos pelas medidas.
Levando-se em conta, também, os municípios que nunca contaram com a presença de agências bancárias, o número de cidades, neste momento, desprovidas desse serviço é de cerca de 1.098 municípios em toda a região Nordeste. Isso tudo representa aproximadamente 60% das cidades nordestinas, segundo levantamento consolidado pelo Banco Central do Brasil.
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Por José Osmando













