Enquanto, na semana passada, de 19 a 23 de janeiro, realizava-se na Suíça o 56º Fórum Econômico Mundial, em Davos, inspirado no romântico slogan “um Espírito de Diálogo”, a OXFAM – uma confederação internacional de 21 organizações não-governamentais, focada em combater a pobreza, a desigualdade e a injustiça no mundo-, divulgou seu relatório anual sobre o crescimento da riqueza dos bilionários mundiais, vendo-se que em 2025 atingiu o magnífico recorde de US$ 18,3 trilhões, crescendo, 16% em apenas um ano.
Os dados deixam bastante claro que fica cada vez mais difícil, até mesmo impossível, haver “Diálogo” diante de tão estrondoso aumento da desigualdade em todas as partes do planeta.
As informações do relatório são de tal modo graves e assustadoras, que revelam algo inacreditável: apenas 12 pessoas possuem um patrimônio combinado que é maior do que 4 bilhões de seres humanos (metade da população mundial), expondo uma desigualdade sem precedentes na história, com o aumento de fortunas estratosférico, concentrando-se nas mãos de uma elite reduzida, mantendo sob seu poder um volume de bens e dinheiro que poderia erradicar a pobreza extrema espalhada pelo mundo em até 26 vezes.
Há no mundo, hoje, 38 milhões de crianças gravemente desnutridas.
Enquanto aumenta a fome no mundo e milhares e milhares de humanos são colocados em pobreza extrema, com a insegurança alimentar e a desnutrição infantil crescendo pelo sexto ano consecutivo, afetando, apenas em 2025, mais de 295 mihões de pessoas, o crescimento da fortuna dos super-ricos, desde 2020, foi de 81%. Em 2025 o número de bilionários cresceu, passando pela primeira vez da marca dos 3 mil.
Junto ao crescimento da miséria extrema e da submissão de pessoas à fome em todo o planeta, cresceram também as denúncias e os apelos de instituições internacionais tradicionais em torno dessa vergonhosa situação. Organizações como a ONU e a FAO não pararam de chamar a atenção para essa realidade, e para a oposição avassaladora entre pobres e super-ricos, mas suas vozes não são ouvidas.
O mundo nunca teve tantos bilionários quanto agora. E esse descomunal crescimento, conforme mostra a OXFAM, coincide com a volta de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos, considerado a maior potênciaeconômica do planeta. Desde a eleição de Trump, em novembro de 2024, até o fim de 2025essas fortunas subiram 16,2%, três vezes mais do que a média dos últimos cinco anos.
Outra coincidência a mostrar que o mundo anda às avessas, de cabeça para baixo, é que também de um ano para cá creceram as movimentações, as narraritivas e as ações contra os organismos internacionais que desenvolvem seu trabalho no combate às desigualdades e na prevalência da paz entre nações.
Nunca houve tanto trabalho para desmantelar nossas sistemas internacionais de proteção, como Trump desencadeia agora, demaneira explícita, contra a ONU, ao criar um órgão internacional, sob a denominação de Conselho de Paz, para o qual convida presidentes de países de todas as partes do mundo, tendo ele, Donald Trump, como presidente por tempo indefinido. Quem sabe, para sempre. Esse simulacro de conselho é visto de modo explícito como uma um exercício de substituição da ONU.
Trump, neste mês de janeiro de 2026, reiterou sua ordem para que os Estados Unidos se retirem de 66 organizações internacionais, incluindo 31 ligadas à ONU, sob a alegação de que elas atuam contra os interesses de seu país.
Na verdade, enquanto a fome cresce, os super-ricos ficam sempre mais ricos, e os organismos internacionais- que asseguram um mínimo de proteção e equilíbrio desde a Segunda Guerra-, estão sendo destruídos. A megalomania do Presidente dos Estados Unidos está implantando para valer a Desordem Mundial.
Por José Osmando













