A derrota de Victor Órban, neste domingo, destituído nas urnas após 16 anos de poder soberano na Hungria, vem carregada de significados e alertas para a extrema direita mundial. A primeira delas é de que o governante húngaro que era apontado ao mundo como o modelo para a extrema direita- como demonstrava o esforço de vender essa imagem internacionalmente-, era um ídolo com os pés de barro, pois ficou provado que não contava com o apoio da população do país.
Prova disso é que as ruas de Budapeste, na noite desse domingo, eram um imenso ambiente de celebração, com multidões lotando todos os cantos, a aplaudir, rir, abraçar-se, num clima de entusiasmo pela vitória adversária, mas muito mais como um sinal de libertação de um povo que já não suportava a forma como Órban conduzia a Hungria.
A segunda lição que se extrai dessa derrota contundente, é que o grande inimigo interno que a Europa era obrigada a carregar, tal a forma Órban se portou ao longo do seu longo mandato, contrariando literalmente os interesses do continente e batendo palmas, hora para Putin, mas sempre para Donald Trump, agora está morto, sem poder e sem influência para trabalhar contra os intereses europeus.
Líderes da União Europeia, a exemplo da Presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, e o presidente da França, Emmanuel Macron, manifestaram grande alegria e enorme alívio com a derrota de Órban. Segundo eles, a Hungria escolheu a Europa, tornando a união mais sólida, “fazendo o coração da Europa bater mais forte nesta noite”, conforme disse Ursula.
Outro significado relevante dessa derrota de Órban é que a presença permanente de Donald Trump, apoiando e executando ações que permitissem a que o seu amigo e aliado permanecesse no poder, teve efeito contrrário junto aos eleitores húngaros. Às vésperas do pleito, talvez já pressentindo que as pesquisas de opinião pública, que apontavam vantagem do adversário de Órban, pudessem estar certas, Donald Trump subiu o tom do apoio, vindo a público na televisãa e redes sociais para expressar integral solidariedade, ao dizer que “meu governo está pronto para usar todo o poder econômicodos Estados Unidos apra fortalecer a economia da Hungria, como fizemos com nossos grandes aliados no passado”.
De nada adiantou. Donald Trump mostrou-se tóxico, a provar que seu apoio, ao invés de votos favoráveis, pode (e está se convertendo) resultar em repulsa.
Esse recado que as urnas da Hungria apresenta, aliás, serve também para as eleições que o Brasil realizará em outubro deste ano, para a Presidência da República. Não só porque o apopio do presidente norte-americano, permanentemente festejado pelos bolsonaristas e por seu candidato Flávio Bolsonaro, deverá ter o mesmo efeito que levou Órban à derrota.
Mas, principalmente, porque o próprio Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, hoje condenado e preso por atos contra a Democacia brasileira, sempre teve Victor Órban como uma espécie de ídolo, e seu governo, lá na Hungria, como um exemplo de modelo a ser seguido por ele, por seus filhos e por toda a extrema direita que plenaja dominar o mundo.
Nunca é demais lembrar que foi na Embaixada da Hungria em Brasília, nos dias 12 e 14 de feveeirio de 2024, que Jair Bolsonaro tentou se refugiar( aí dormindo duas noites), depois que a Polícia Federal apreeendeu seu passaporte, no âmbito das investigaçõs do golpe de 8 de janeiro, após comprovações de que ele pretendia fugir do Brasil.
Faz tempo que os filhos de Bolsonaro, começando por Eduardo, que há três anos abandonou o mandato de deputado federal e fugiu para os Estados Unidos, unindo-se
a Donald Trump trabalha contra o Brasil, lançando campanhas difamatórias sobre o país e seus dirigentes, e clamando
abertamente por intervenção norte-americana no país, com especial incidência sobre as eleições presidenciais. O outro filho, Flávio, que é o candidato na disputa contra Lula, segue na mesma toada, celebrando o apoio que recebe de Trump e vendo sua presença como de grande importância para sua eventual eleição.
É bom que se precavenham, pois as demonstrações sobre a derrota estrondosa de Victor Órban podem se espalhar de maneira muito forte no Brasil, tragando o desejo do bolsonarismo e da extrema direita de voltar ao poder.
Por José Osmando













