Causa espanto o relatório da Vital Strategies, baseado em dados do Ministério da Saúde e comparando os anos de 2024 com 2023, em que aponta um agravamento na situação de mortes no trânsito brasileiro, com aumento de 6,5% de um ano para o outro, representando o maior crescimento de vítimas fatais nos últimos oito anos.
Nesse retrocesso na segurança viária, o país perdeu 2.269 vidas a mais do que no ano anterior. Foram 37.150 mortes nas estradas e vias urbanas em todos os Estados, quando os mortos em 2023 haviam sido 34.881.
Para os nordestinos as notícias são ainda piores. Pela primeira vez na história desse levantamento, desde quando começou a ser feito, em 2010, o Nordeste assumiu a desprezível liderança entre todas as regiões do Brasil. Morreram na região nordestina 11.894 pessoas em 2024, contra 10.995 do Sudeste, que até 2023 ficava na dianteira dos óbitos.
E aqui vem mais um agravante significativo, que reside no fato de que a rica região na qual se encontra o Estado de São Paulo, possui o dobro de veículos do Nordeste.
Em dezembro de 2024, o Sudeste contava aproximadamente com 59 milhões de veículos, mais que o dobro dos 22,3 milhões do Nordeste, conforme dados da Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). Na relação óbito por 100 mil habitantes, Nordeste teve taxa de 20,8, enquanto o Sudeste registrou a menor, com 12,4.
Isso só faz aumentar a gravidade sobre o que está ocorrendo no Nordeste.
Os dados da Vital Strategies mostram nesse cenário preocupante de mortes no trânsito, que a situação da mortalidade por motociclistas no Brasil atingiu níveis críticos, configurando a moto como o veículo que mais mata no trânsito brasileiro.
Pelas estatísticas de 2025, cerca de 33 motociclistas morrem todos os dias no Brasil. E os estudos indicam que o número de mortes por acidentes de motos cresceu mais de 15 vezes em 30 anos, passando de 792 em 1996, para mais de 13.500 em 2023. A proporção de motociclistas representa mais de 40% das vítimas fatais.
O alto número de acidentes nas rodovias e vias públicas das cidades brasileiras resulta, além das milhares de mortes, em um alto índice de sequelas e internações hospitalares, com indicação de que entre 65% a 70% dos leitos de emergência em alguns hospitais são ocupados por motociclistas. Isso traz um custo elevadíssimo para a saúde pública.
Além de ser já há algum tempo um gravíssimo problema de saúde pública, há indicadores de que o prejuízo econômico, muito além da dor das famílias que perdem seus entes, é superior a R$ 50 bilhões.
As sequelas que ficam nos que não perderam a vida, são devastadores, com impactos em perdas permanentes de órgãos por amputações, além de danos físicos e mentais permanentes, traumas psicológicos, estresse pós-traumático e depressão, sobrecarregando as unidades públicas de saúde de modo crescente e irreparável.
Sabe-se que muito disso poderia ser evitado com maior controle sobre a liberação de carteiras de habilitação, uma frequência razoável de campanhas educativas de trânsito nos meios de mídias, nas redes sociais e nas escolas, uma fiscalização rigorosa e implacável dos órgãos públicos responsáveis sobre o uso de capacete para motociclistas e uma melhora na conservação das vias públicas e rodovias, com sinalização adequada.
O que se espera agora é que o Programa Nacional de Segurança de Motociclistas, lançado pelo governo em 2025, que aborda essas ações saneadoras, possa produzir os resultados desejados e necessários.
Por José Osmando













