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Brasil ganha muito com o acordo Mercosul e União Europeia que será assinado sábado | José Osmando

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A assinatura do acordo de livre comércio entre a União Europeia e os países que integram o Mercosul- ato que se realizará nesse próximo sábado, 17, no Paraguai- representa um enorme avanço nas relações entre esses dois dos maiores blocos econômicos do mundo, e um ganho expressivo para o Brasil.

No total envolve mais de 30 países e  abrange um mercado de 720 milhões de consumidores – 450 milhões na Europa e 270 milhões na América do Sul-. O peso econômico dessa parceria pode ser medido, além disso, por um PIB de US$ 22,4 trilhões (R$ 120 trilhões), o que equivalente a 25% do PIB global. 

Conforme estimativas do Ipea, o Brasil deve ser o principal beneficiado pelo acordo, podendo elevar seu Produto Interno Bruto em algo próximo a 0,50% até o ano 2040.

Além da ampliação dos negócios entre os países, o que seguramente carrega impacto positivo ao PIB de cada integrante, o acordo trará benefícios também ao mercado interno de maneira significativa, impactando produtos de supermercados, como azeite, chocolate, bebidas alcoólicas (destadamente o vinho), que passarão a registrar queda nos preços nos próximos anos. 

E isso irá aos poucos favorecendo os consumidores em geral, pois a eliminação de tarifas alfandegárias sobre carros importados( que hoje pagam cerca de 35% de taxação), por exemplo, contribuirá para o barateamento desses produtos. Outro segmento essencial à vida dos consumidores, diz respeito a medicamentos, representando cerca de 8% do total de compras feitas no exterior. 

A supressão de taxação sobre remédios, portanto, fará os preços caírem em benefício da população.

As mudanças com esse acordo serão expressivas. Para o Mercosul, favorecendo diretamente o Brasil, 92% das exportações para a União Europeia, serão isentas em até 10 anos; para a União Europeia, 91% das exportações para o Mercosul ficarão isentas em até 15 anos. O ganho na balança comercial do Mercosul será de US$ 169,2 bilhões.

O caminho que se percorreu até se chegar a esse 17 de janeiro de 2026, foi longo e tumultuado, levando mais de 25 anos de conversas e desencontros. O Mercosul, e muito especialmente o Brasil, sofreram forte resistência de blocos europeus durante todo esse tempo, muito em razão do entendimento de agricultores e pecuaristas europeus de que a entrada de produtos sem taxação em seus países, representaria um risco aos seus negócios.

Na prática, europeus de alguns países, notadamente da França e Bélgica, sabedores dos avanços científicos e tecnológicos da agronegócio brasileiro, graças à excelência da Embrapa, temem uma disputa desigual diante do que eles produzem. Daí, por pressão vigorosa dos agropecuaristas franceses, o presidente Macron, da França, ter conduzido seu país a votar contra o Acordo. Dentre os 27 países que integram o bloco europeu, apenas França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria votaram contra o acordo, enquanto a Bélgica se absteve de votar.

Desde que assumiu o Governo no seu terceiro mandato, o Presidente Lula segurou a bandeira do Acordo Mercosul/União Europeia como um dos seus principais elementos de política externa, estabelecendo conversas bilaterais com cada um dos participantes e expressando a necessidade de sua implantação em todos os grandes eventos mundiais de que participou. De algum modo, por isso mesmo, essa é uma conquista com características de uma vitória pessoal de Lula. 

As expectativas desse acordo que será assinado neste sábado são de que as exportações da União Europeia para o Mercosul devem crescer 50 bilhões de euros (R$ 311,5 bilhões) até 2040, enquanto as exportações do Mercosul para a Europa, por sua vez, deverão aumentar em até 9 bilhões de  euros (cerca de R$ 56 bilhões). 

Além de todos os ganhos que o Acordo Mercosul/UE podem constituir, há um significado político importante, ao sinalizar pela necessidade imperiosa do multilateralismo nas relações entre os países do mundo, contrariamente à política personalista, individualista, dominante e imperialista pregada, e alguns casos praticada, pelo governo dos Estados Unidos.

Por José Osmando

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