A visita que o Presidente Lula faz ao continente asiático tem rendido bons resultados nas relações bilaterais com a Índia e a Coreia do Sul, com a celebração de acordos importantes para a exploração e beneficiamento de terras raras e minerais críticos, para o intercâmbio de tecnologias no terreno da Inteligência Artificial, e a ampliação de negócios no agronegócio, na indústria de alimentos e na construção aeroviária, com presença marcante da Embraer.
De olho no Brasil, no desejo de que essa união possa resultar em um comércio acima de US$ 20 bilhões nos próximos cinco anos, a presidente da Índia, Droupadi Murmu, e seu primeiro-ministro Narendra Modi, durante banquete realizado no sábado, em Nova Délhi, pareciam desfrutar de um momento raro de descontração, aparentando bom nível de contentamento.
A imprensa indiana, contrariamente ao alheamento da mídia brasileira diante da viagem de Lula e de mais de 300 empresários, deu grande destaque aos encontros e aos acordos bilaterais que foram mantidos nesse fim de semana, abrindo manchetes como essa do seu principal diário que, em tradução literal, destaca no seu primeiro título: “BIRRAS DE TRUMP VS. IMPULSO MODI-LULA”, reforçando que a Índia está de olho no Brasil para comércio acima de US$ 20 bilhões.
Essa manifestação dos dirigentes indianos chega no exato momento em que a suprema corte dos EUA derrubou por 6X3 votos os tarifaços impostos ao mundo no ano passado, em algumas situações superiores a 50% (caso do Brasil).
Contrariado com a decisão, em revide ao entendimento da justiça contra suas irregularidades, Trump decidiu agora taxar o mundo inteiro no percentual único de 15%.
Muito por conta das ações do presidente norte-americano, governantes de todas as partes do universo, com manifesta liderança do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, correram para ampliar relações comerciais entre si, de maneira a fugir das imposições drásticas de Donald Trump e com isso assegurar maior conforto de suas economias.
E foi na esteira desse esforço que recentemente foi firmado o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, uma pretensão pela qual esse conjunto de mais de 30 países lutava há quase trinta anos.
Agora, mesmo, nessa viagem, Brasil e Índia assinaram um amplo acordo sobre minerais críticos e terras raras que prevê cooperação e troca de tecnologia.
O presidente Lula foi recebido com honras de Estado pelo primeiro-ministro Narendra Modi, e pela presidente do país, Droupadi Murmu.
Eles depositaram flores no monumento que homenageia Mahatma Gandhi. A visita de Estado continuou com reuniões de trabalho na residência oficial do primeiro-ministro.
Brasil e Índia assinaram 6 memorandos de entendimento, espécie de acordos preliminares, nas áreas de saúde, tecnologia, pesquisa científica e comunicações e o documento inédito de compromissos sobre minerais críticos e terras raras.
Além do amplo entendimento sobre minerais críticos e terras raras e também sobre troca de tecnologias no terreno da IA, o Brasil firmou um acordo estratégico com a Adani Defence & Aerospace para estabelecer uma linha de montagem do jato regional E175 em território indiano.
A parceria, que visa atender à crescente demanda indiana por viação regional, prevê 500 novas aeronaves nos próximos 20 anos, e já começa a vigorar agora em 2026. A Adani Defence é a maior empresa privada de aviação da Índia.
O presidente Lula já está na Coreia do Sul, onde se reuniu com o presidente Lee Jae-myung, e devem firmar parcerias nas áreas de agricultura, tecnologia, medicamentos e um incremento no intercâmbio cultural e educacional.
Lula volta à Coreia do Sul depois de ter visitado o país asiático e realizado acordos bilaterais em 2005, e em 2010, no seu segundo mandato, por ocasião da Cúpula do G20. Desde então, nenhum outro dirigente brasileiro voltou à Coreia, o que é rigorosamente incompatível diante da grandeza e dos interesses comerciais das duas grandes nações.
Por José Osmando













