A divulgação, nesta terça-feira, do resultado do Produto Interno Bruto brasileiro, relativo ao segundo trimestre de 2026, retrata o que o bom senso já aguardava: o crescimento da economia nacional foi de apenas 0,5%, configurando uma retratação de 0,6% , ou seja, mais da metade de queda na comparação do que foi resgistrado nos primeiros três meses do ano, quando o crescimento foi de 1,1%.
Os dados do IBGE chegam para confirmar que o desempenho da economia do país começa a sofrer, de maneira forte e continuada, os efeitos danosos da taxa Selic, que está em 14% ano ano e se mantém acima de 10% desde fevereiro de 2022, quando a taxa básica de juros subiu de 9,25% para 10,75% e daí foi crescendo até o patamar de 15%.
Os resultados são irrefutáveis até mesmo para o mercado, demonstrando os efeitos negativos das elevadíssimas taxas de juros básicos praticada por longo tempo pelo BC.
Esse é um filme triste que os brasileiros não desejam ver mais, e que passou a ser rodado e reeditado a cada 45 dias pelo Comitê de Política Monetária ( o Copom, do BC), sob o governo de Jair Bolsonaro, tendo como comandante absoluto nessa política suicida o ex-presidente do BC Roberto Campo Neto.
Em dezembro de 2018, um mês antes de Bolsonaro assumir o Governo (janeiro de 2019), a taxa de juros Selic era de 6,5%. Quando ele deixou o cargo, ao fim do mandato, em janeiro de 2023, essa mesma taxa já estava em 13,75%, mais do que o dobro do que ele encontrou, conforme apontam os registros históricos do Banco Central do Brasil.
Além disso- que já era em si um péssimo resultado para a economia brasileira-, a saída de Bolsonaro do cargo não levou consigo Roberto Campos Neto. Ele permaneceu, até chegar à data final do seu longo mandato de 6 anos, que durou de fevereiro de 2019 até dezembro de 2024. O presidente Lula nada pode fazer antes disso, e só ao término desse império desastroso ganhou condições para indicar Gabriel Galípolo, que pouco tem conseguido mudar em relação às altas taxas de juros.
Essa herança maldita deixada pelo governo anterior não maléfica apenas pelos danos que já causou, inibindo a economia, travando o desempenho da indústria, do comércio,dos serviços, do acesso ao consumo, enfim, dos prejuízos causados aos brasileiros, mas pelo fato de que o modelo deixado por Paulo Guedes/Bolsonaro, com um BC pleno de autoridade, independente a qualquer gestão externa, mesmo que seja da Presidência da República, não fica apenas na figura do Presidente, mas na formação de todo o colegiado, quase completamente nomeado pelo governo passado e, assim, refratário a qualquer mudança substancial nos juros básicos.
Mesmo assumindo com compromissos de mudanças, a gestão Galípolo, que chegou num pico de apertos em meados de 2025, com 15% de taxa, ainda manteve esse patamar restritivo por todo o segundo semestre daquele ano e só em março de 2026 começou uma rdução lenta, passando para 14,75%, caindo nas sessões seguintes, até ao nível de hoje, de 14%.
Trata-se de uma taxa intolerável para o mercado produtivo, para os geradores de bens, serviços, renda e empregos, mas um formidável aliado para todos aqueles que vivem de renda, da obtenção de ganhos de maneira fácil, crescente e continuada, sempre que os juros estiverem os mais altos possíveis. São os rentistas, especuladores financeiros, guardadores de fortunas no exterior, que sustentam esse esquema injusto do Banco Central e, com essa prática infeliz, está levando a economia brasileira a desaquecer.
Esta semana, num jantar com um grupo seleto de grandes empresários brasileiros, quase todos com assento na Faria Lima, o Presidente Lula, mesmo reafirmando que não abre mão dos investimentos que sempre tem feito nas áreas sociais, para beneficiar os mais vulneráveis, compromteu-se com o mundo empresarial a lutar com firmeza para fazer tudo ao seu alcance no sentido de reduzir as altas taxas de juros.
Dias antes, durante entrevista, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as altas taxas de juros “machucam muito” a economia brasileira e que reduzir o custo do dinheiro é um gande desafio, mas igualmente um compromisso do governo.
O ministro sabe que essa política de juros acima de dois dígitos por um período tão longo como se tem visto, está desaquecendo os mercados e levando a uma onda de recuperação judicial de empresas, com dezenas delas pedido socorro à justiça para tentar honrar compromissos com seus credores.
Além do mais, a inadimplência está tomando conta da vida das famílias e pequenos empresários, tudo numa consequência dessas taxas perversas de juros.
Isso é tudo que o Governo Lula não esperava ver acontecer.
{{#news_items.length}}
{{/news_items.length}}
Ver mais recomendações
Por José Osmando

