Carlos Bahia é um exemplo notável de resiliência e paixão pelo esporte, tendo trilhado um caminho que poucos poderiam imaginar quando ele ainda era um jovem na zona rural da Bahia. Nascido em Ibicaraí, no interior baiano, seu sonho era bem diferente do que viria a se tornar sua realidade. Criado em uma fazenda, Bahia sonhava em ser cowboy e participar dos famosos rodeios de Barretos, o mais prestigiado festival de rodeio e música sertaneja na América Latina. Contudo, seus planos começaram a se desviar do esperado aos 13 anos, quando sua família se mudou para Maresias, no litoral de São Paulo, após sua mãe conseguir um emprego como diarista. Ali, junto ao pai, Bahia teve seu primeiro contato com o oceano e começou a frequentar uma escolinha de surfe, e logo essa atividade se transformou em uma enorme paixão.
A transição de Carlos foi rápida. Ele iniciou no bodyboard, passou pela prancha convencional e, por sugestão de um amigo, adotou o longboard, modalidade pela qual se tornaria conhecido. Nesse período, surgiu também o apelido “Carlos Bahia”, que se popularizou entre os amigos e no cenário esportivo. Aos 17 anos, ele teve uma oportunidade única de participar do circuito internacional de longboard durante uma etapa do Mundial em Maresias, em 2000. Foi nesta competição que conheceu de perto grandes ícones do esporte, como Bonga Perkins e Picuruta Salazar, este último uma referência crucial em sua carreira.
Apesar de ter sido eliminado na competição inicial, a experiência foi um marco em sua trajetória, especialmente quando Picuruta, após também ser desclassificado, presenteou Carlos com sua prancha. Este gesto simbólico parece ter consagrado sua jornada no longboard. Daquele momento em diante, ele não apenas se dedicou ao esporte, mas também acumulou conquistas significativas. Entrando efetivamente no circuito mundial em 2004, Carlos Bahia colecionou títulos nacionais, se tornando pentacampeão brasileiro, além de garantir posições de destaque internacionais, como a prata no Mundial ISA e o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago em 2023.
Nos Jogos Sul-Americanos Santa Fé 2026, Carlos Bahia demonstra que, mesmo sendo o atleta mais veterano da equipe brasileira de surfe e, em particular, do longboard, sua motivação e desejo de competir permanecem firmes. Ele reconhece que iniciou no esporte enquanto seus ídolos já estavam bem estabelecidos, mas hoje, aos 43 anos, é ele quem compete lado a lado com as novas gerações, mantendo-se não só competitivo como também inspirado pela juventude ao redor. Essa troca lhe dá energia para continuar se desafiando, especialmente quando reflete sobre a possibilidade de assistir as competições apenas pela televisão, um pensamento que, segundo ele, o deixaria inquieto sabendo que ainda pode alcançar mais medalhas.
Na competição atual, Bahia segue sua busca pela medalha no longboard. Durante os Jogos em Mar del Plata, ele derrotou o chileno José Boza na segunda rodada da repescagem com uma pontuação de 9.60, exibindo sua experiência e habilidade nas ondas. Na sequência, superou o argentino Surfiel Gil em um embate acirrado, somando 13.00 contra 11.27, assegurando sua continuidade na competição. Agora, enfrentará o peruano Sebastian Cardenas, com vistas à medalha de bronze e, quem sabe, à possibilidade de disputar a final no longboard masculino, mantendo viva a chama do sonho de continuar competindo.
Com informações do Comitê Olimpico do Brasil
Legenda Foto: Carlos Bahia, de fazendas na Bahia ao mar e vitórias em Mar del Plata! O pentacampeão brasileiro de longboard segue brilhando nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, avançando na competição após vencer duas rodadas desafiadoras. Aos 43 anos, ele mostra que a paixão pelo surfe e a determinação continuam mais fortes do que nunca! Foto: Bruno Ruas/COB.













