Por Arthur Goes.
A Seleção Brasileira sofreu nesta terça-feira uma das derrotas mais constrangedoras de sua história recente: 4 a 1 para a Argentina, no Estádio Monumental de Núñez. A atuação foi apática, desorganizada e sem alma. Um retrato fiel, infelizmente, do Brasil que vemos hoje fora das quatro linhas.
Dorival Júnior balança no cargo — e com razão. Sua Seleção não tem padrão, não tem garra, não tem comando. Mas seria injusto concentrar toda a culpa no técnico. O que vimos em campo foi o espelho de um país que há tempos vem perdendo competitividade, brilho e propósito.
A Argentina, que até pouco tempo era usada como alerta do colapso econômico e institucional, inverteu o jogo. Hoje, com medidas liberais recém-implementadas, busca equilíbrio fiscal, atrai investidores e dá sinais de recuperação. No futebol, está classificada para a Copa e mantém uma geração vitoriosa. Já o Brasil, insiste em políticas ultrapassadas, controle estatal e discursos que ignoram a realidade da inflação e da desvalorização da moeda.
Assim como a Seleção, o governo brasileiro parece sem esquema tático. Insiste em soluções do passado para problemas do presente, promovendo uma gestão que distribui ilusões em vez de oportunidades. Enquanto o mundo acelera, o Brasil estaciona — e quando estaciona, é ultrapassado.
O vexame no Monumental não é um caso isolado. É o sintoma de um país que precisa, urgentemente, rever suas escolhas. A troca do técnico talvez seja inevitável. Mas também é hora de a população refletir sobre outros nomes que hoje comandam — ou descomandam — o Brasil: do Palácio do Planalto ao Ministério da Economia.
Se quisermos voltar a ser respeitados dentro e fora de campo, é preciso coragem para mudar. E essa mudança começa com a percepção de que o jogo não está perdido — mas que, do jeito que está, não tem como vencer.